27 de abril de 2009

Palavras de outros.

"Era de tarde e eu senti saudades do seu sorriso. Alguém sorria tão bonito na rua, e da janela do ônibus eu vi, e era um sorriso que me lembrou o seu. Bem que me disseram que depois de muito tempo sem falar com alguém, qualquer raiva vira saudade pura. Não tenho medo de clichês: amor realmente não basta quando duas pessoas vivem momentos diferentes. Quando o amor é de primeira, e no olhar as almas se encontram e se amam, o amor pode ser extremamente bonito, mas também frágil demais. E mais uma vez sendo comum, lhe digo que sentimentos delicados são como cristais. E, portanto, digo também que há vasos que precisam ser tratados com extrema delicadeza. E palavras rudes são tombos altos. A decepção condicionaliza o amor, que, para ser amor, há de ser incondicional. Ainda que as almas saibam que o amor é de verdade, as pessoas precisam conhecer profundamente o caráter da outra para não precisar ficar segurando o vaso o tempo inteiro. Nos amávamos, não tenho dúvidas. E, por isso - somente e o bastante - não tivemos medo de deixar o vaso sobre a mesa. E hoje quando eu olho os cacos, um deles é a janela do ônibus pela qual eu vi um sorriso que me lembrou o seu. E me deu saudades. E mais do que lembrar dos passeios que não chegaram a acontecer, as comidinhas gostosas e os desenhos que não fizemos, os seus casos de amor que você não me contou, as alegrias e as tristezas que não aumentaram ou diminuíram ao dividirmos, mais que tudo isso eu olho para os cacos e lembro de tudo que está em cada um deles. Tudo o que aconteceu e fez de mim uma pessoa melhor. Porque a alma ainda ama. Se eu tivesse cola, eu juro que tentava colar. Ainda que não fosse nunca ficar igual. Mas desabou de uma vez e eu odeio vasos com brechas. Desculpe, não dá pra colar saudade e nem amor quebrado."

Texto de Mariana Chagas. De azul, minha contribuição.

Uma amiga me mandou agora a pouco esse texto, e juro que senti uma pontadinha aqui dentro do meu coração quando o li. Tão delicado e sincero.
Olha, os ânimos se acalmaram, o amor passou... aliás, se enterrou sozinho, mas nada me impede de mostrar que as palavras ficaram.
Texto belíssimo.

Obrigada Suzana, por ter me enviado.
Obrigada Mariana, por dizer no seu texto o que eu queria sentir.
:)


Música que to ouvindo?
Maria Rita: "Não vale a pena"

Coincidência? Não! DESTINO.

3 de abril de 2009

A flor orgulhosa.

Eu?
Eu sou essa ali, aquela da foto de sorriso pro sol e esperando a lua.
Eu sou aquela que queria uma música que descrevesse quem eu realmente sou, pra dizer umas verdades pra você.
Uma canção que tocasse lá no fundinho e dissesse assim: “Eu apenas queria que você soubesse que aquela alegria ainda está comigo, e que a minha ternura não ficou na estrada...".
Realmente, Gonzaguinha me cantaria com aquele ar de música infantil dos anos 80’. Com barulhinhos engraçados e aquela voz de “gente da gente”.
Talvez se eu contasse sobre os meus planos e os meus sonhos, algo a mais seria devorado do lado de dentro da minha casca.
Uma “Flor”, morena, com espinhos e corajosa. Aquela que deu adeus de mãozinha fechada. Egoista e orgulhosa. Aquela que quer ser lembrada pelo sorriso e não pelos dotes do corpo que a cada ano mudam um pouquinho. Uma “porra louca” que acha que as pessoas podem mudar e que o amor ainda é motivo pra se continuar tendo esperanças, e que ter esperanças é motivo pra se ter amor.
Aquela que canta alto e não tem vergonha de vexame. Sorridente e de cabeça quente. Faminta por palavras e cheia de tantos sonhos.
Aaaahhh, esses sonhos. São tão poucos e tão intensos. Daqueles que dão friozinho na barriga, sabe?
Só sei sonhar. E amar. E chamar. E pensar. E sorrir.
Dona de si e de nada. Dona das frases engraçadas e das gargalhadas vergonhosas.
Cheia de manias, caras, bocas, poses... cheia de vontades. Cheia de doces palavras e olhares sombrios. Cheia de coisas. Cheia de dedos.
Cheia de si.
Essa sou eu, a que sorri pro sol pensando na lua.

Naiane Feitoza


*Coloquei esse texto no meu perfil do orkut.
Nem sei bem ao certo se fiz CERTO. Mas como toooooodo mundo adora colocar "quem se define, se limita" e não escreve nada de si, ou copia pedacinhos de músicas, versos ou textos espalhados por ai que se descrevem como "eu sou assim", eu quis falar quem eu sou DE VERDADE.

Hoje eu me vejo como uma flor. Uma bela, "crescente", egoista, sonhadora e devoradora flor.
Devoradora?
Sim.
Devoradora de palavras e sentimentos. E os sonhos... Bom, eles fazem parte.


;)


Bom fim de semana.

30 de março de 2009

Ogro 1 x 0 Princesa Ariel.

Ogro diz: to carente
Ogro diz: ;~~~~
Naiane. diz: OoOoOo... Ta, a Naiane ta aqui. Da um abraço, vai. <>
Ogro diz: e eu lá quero abraço
Ogro diz: eu quero é beijo. Quero é SEXO =x
Naiane. diz: ¬¬
Naiane. diz: ENTÃO VAI PROCURAR COM OUTRA. E VAI TOMAR NO CU! Seu GROSSO!
Ogro diz: uaehuaehuhae
Ogro diz: sério agora. To mal.
Ogro diz: =\
Naiane. diz: pq?
Ogro diz: num sei, pensando em quem não devia
Naiane. diz: Hm...
Ogro diz: sentindo falta do que não tive ;~~
Naiane. diz: CARALHO! ;/ (sem palavras)
Ogro diz: relaxa... de vez em quando dá essas doidices em mim. Fico parece fresco.
Ogro diz: porra... acordei tão bem hoje
Naiane. diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Naiane. diz: parece fresco, é? Pqp! acho que não. Mas enfim.
Ogro diz: fico sim
Ogro diz: odeio ficar assim. Minha guarda fica la em baixo... odeio me sentir desprotegido
Ogro diz: ¬¬
Naiane. diz: Pqp! Pra ta assumindo isso tem que ser muito homem, cara. Ainda mais tu, que és todo grosso, insensível, dono de si, cheio da razão, não perdoa nada, é orgulhoso que DÁ ÓDIO e ainda é capricorniano. DEUS ME LIVRE! To até arrepiada aqui.
Ogro diz: to falando pq é pra ti... aeuaheuhaeu
Naiane. diz: Eu sei, amor. Eu sei. É que me dói essas coisas. Mas vamos mudar de assunto.
Ogro diz: tipo, eu não deixo isso transparecer... na hora que é preciso, tiro força do cu mas fico de boa, mas quando to sozinho, no caso agora... sem nada estar acontecendo... sei la... de bobeira... no msn... ai eu fico remoendo isso.
Naiane. diz: Puta merda. Então vai te ocupar. Sei lá, não pensar. Não sentir falta do que não viveu. E eu pedi pra mudar de assunto.
Naiane. diz: PORRA.. NÃO ME DEIXA TRISTE, SEU MERDA. ;~~
Ogro diz: Ta. Então bora falar merda
Naiane. diz: Hmm
Naiane. diz: comece ai
Ogro diz: ahhh sei la. to sem criatividade. É tua vez hoje. ;D
Naiane. diz: ¬¬ eu não falo merda. Kkkkkkkkkkkkkkkk
Ogro diz: uhhhh mana, começou bem... auehauehuae
Naiane. diz: FDP! (...)


*
E não é que os Ogros também têm coração?
Me deu um apeeeeertinho no coração.
Tadinho. Apesar de ser essa delicadeza tooooda, realmente ele está "sofrível".
Ai, ai... Esses homens ainda me surpreendem.
E eu? To deixando de ser sentimental, é?

27 de março de 2009

Young também me descreveu como chata.

"Sabe qual é meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia. Que um dia imagine o quanto teria sido ótimo estar ao meu lado, mesmo quando eu estava gripada. No entanto, sei que você está a cada dia que passa mais fugidio. E eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida. Que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. Constrange-me existir esse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita, sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. Nunca precisei aborrecer ninguém antes, então atuo por instinto, cansando-me facilmente. E que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. Desejo-o porque desejo. Estúpida. Latina. Bethânia. Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude."
(Fernanda Young - Aritmética)

☆É tempo de amadurecer as coisas (mentira!).
☆É tempo de ver que tudo foi feito com planos definidos (mentira deslavada!)

☆É tempo de sorrir porque eu me livrei de um peso (Porra! A pior das mentiras.)

☆É tempo de não pensar no que passou. Esquecer. Apagar. Deletar. FINDAR (adoro essa palavra) - (Esse tópico também é mentira)



  • Young falou o que eu queria falar e parece que ainda me descreve como chata e Chico Buarque (veeeeerdade! Como será que ela sabe sobre o Chico?)
  • Eu poderia estar melhor (é isso ai)
  • Eu não estou melhor (E dai?)
  • Mas eeeeeeuuu vou ficar. (éééééé!)

;)

Raivinhas a parte, bom final de semana a todos e não leiam essa merda de livro da Young. Já estou me arrependendo de ter encontrado essa droga por ai e já coloquei na estante, atrás dos piores livros, junto da poeira. Essa merda.

26 de março de 2009

Papo de Fifi.


Enriqueta diz: Nós vamos casar no ano que vem.. Marcamos nosso noivado pra julho agora.
Naiane. diz: OoOOOOoo
Naiane. diz: QUE LINDO
Naiane. diz: Parabééééénnnnnnssssssss, amiga
Naiane. diz: PARABÉNS!
Enriqueta diz: Que parabéns, amiga?
Enriqueta diz: NÃO PERCEBE A GRAVIDADE DISSOOOOOOOOOOO?
Enriqueta diz: (NÃO PERMITIDO PARA MENORES. PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII)
Enriqueta diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Enriqueta diz: To feliz, mas... deprimida
Enriqueta diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Naiane. diz: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Naiane. diz: E O MALVINO VAI SER SÓ MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEU!
Naiane. diz: ^^
Naiane. diz: HOHOHOHOHOHOHOHO.. #)
Enriqueta diz: Como tu és.
Enriqueta diz: Malvino, Malvino...¬¬
(...)
Enriqueta diz: Eu não me imagino de noiva :P
Naiane. diz: UIHIUHAIUAHUIA
Naiane. diz: eu me imagino ^^
Enriqueta diz: Nem vai gastar pano contigo no teu...HAHAHA
Naiane. diz: mas eu acho que nunca vou casar. Logo eu, que seeeeeeeeeempre quis isso pra mim
Naiane. diz: ¬¬
Enriqueta diz: Toda pequenina... ;~
Naiane. diz: EU NÃO VOU CASAR ¬¬
Enriqueta diz: NÃO?
Enriqueta diz: hmmm
Naiane. diz: NÃO
Enriqueta diz: pq afirma isso com essa cara de cu?
Naiane. diz: pq eu pensei em casar só com uma pessoa. Fiz planos só com essa pessoa, e meu coração pesou depois que parei de sonhar.
Naiane. diz: Não gosto mais dessas coisas de pensar em MIM casando
Naiane. diz: eu queria, MUITO. Mas maaaaaaaaaana, que vida cagada eu fui arrumar pra mim
Naiane. diz:PUTA QUE PARIU
Enriqueta diz: Não concordo com vc, mas deixa o tempo te dizer isso.
Enriqueta diz: Tava no telefone, amiga. Desculpa....
Enriqueta diz: Tava tratando do meu noivado ¬¬
Enriqueta diz: hUIAhuiahaiuhaiuHAIUHAiuahaiuhaiuhaa
Naiane. diz: ¬¬
Naiane. diz: _I_


*Sim, estou deprimida porque HOJE eu sei que não vou casar. ;~~~

24 de março de 2009

Nostalgia, eu quero uma pra viver.


"Lembro-me de quando era criança e via como hoje não posso ver..."

Ninguém sabe ao certo porque veio a esse mundo. Eu mesma tenho doze milhões de dúvidas em saber o que eu faço aqui. O que eu vim fazer aqui? Que diabos eu fiz pra vir parar no meio de tantos loucos?
Me vi pensando que estaria melhor se tivesse nascido na década de 60’, porque, pra mim, é a melhor era: a era das melhores músicas.
Ou então a década de 70’, que todo mundo só queria saber de ser “rebelde” e era totalmente liberal. Convenhamos, isso é um atrativo. Quando paro e penso que isso, nos dias de hoje, é mais fácil que sexo pago, fico analisando que não é a época que me deixa em dúvidas e sim, que sentido eu tenho pra que esse mundo melhore.
Ontem, numa mesa de bar (acostume-se em saber disso) fiquei pensando: O que será do mundo sem mim?
Eu não tenho que pensar “o que seria de mim sem o mundo?”, porque se eu morresse já não faria mais parte dele, né? Coisa mais lógica não há.
Ai eu penso que o mundo, realmente, seria um saco sem mim. Menos uma sonhadora, menos uma idiota pensando que é melhor em um milhão de coisas. Menos uma mulher que bebe com gosto, que vai à bares pensar na vida e adora convites inusitados.
Eu, às vezes, penso que nunca vou conseguir me adequar a nada e nem a ninguém. Sim, porque sempre sou eu que erro, sempre sou eu que me culpo. Ou, talvez, seja esse o problema. Me colocar como “a culpada”.
Me culpo de muitas coisas. Me culpo por ter estudado demais, quando deveria estar por ai viajando pelo mundo e conhecendo pessoas diferentes. Poderia estar mais pobre, mas com certeza eu estaria mais feliz. Quem me garante que eu não estaria?
Me culpo também de ter me apaixonado algumas vezes. Por homens e mulheres em geral. Por pessoas que fizeram parte da minha vida por um dia, uma semana, um mês. Aquelas pessoas que você sabe que contribuiram com alguma coisa na sua vida. E todas, digo com muita convicção, contribuiram pra que a minha vida fosse diferente.
Tive amigos loucos, depravados, mulheres que bebiam mais que um grupo de 10 homens alcoolatras. Tive pessoas que pensavam que o mundo era como as nuvens, que sonhavam em morrer em paz, ou no mínimo, no último dia da sua vida, ter o prazer de um sorriso. Tive pessoas na minha vida que só de olhar dá vontade de sair sorrindo e suspirando.
Também tive as pessoas que não contribuiram nem com a minha raiva. Aquelas que eram o abajur de uma ocasião ou mesmo a caneta de cima da mesa. É, aquelas pessoas que como dizem “não fede nem cheira”. Aquele cara ou aquela menina neutra. Neutra demais. Não gosto de gente neutra. Eles não ocupam lugar em mim. Eu gosto de gente espaçosa. Daquelas que chegam arregaçando tudo e todos. Que nem pedem licença e vão logo sentando no seu lugar, na sua vida. Tomam conta de tudo. Gente neutra me deixa doente.
Talvez seja por isso que eu dei abertura pra muitas coisas nessa minha vida.
Aos momentos espaçosos. As dores de cabeça que ocupavam mais lugar do que os meus pensamentos. Tive dores de cabeça que até hoje nem imagino como consegui me livrar.
E o que eu quero dizer com tudo isso?
Nada, oras. Queria só usar umas linhas pra escrever e dizer que todo mundo é diferente, mas todo mundo é igual.
Fiquei pensando que queria escrever um daqueles textos que quando a menininha estivesse triste, olhasse, se pegasse lendo e desse aquele sorrisinho bobo. Que nem esse que estou dando agora.
Não, realmente, não consigo imaginar o mundo sem mim.
Não consigo ficar pensando como as pessoas deixariam de lado alguma frase idiota que eu falasse. Não consigo pensar na dor que me daria só de imaginar que um homem não tivesse o prazer de me ver andando, de sentir ou meu cheiro de perfuminho caro, ou que simpatizasse com o meu sorriso largo e sem graça. Sim, porque eu tenho vários sorrisos, mas o mais sincero é o sem graça. Aquele que vem com o brilhinho nos olhos.
Fico pensando que saco seria não ouvirem a minha gargalhada quando estou realmente achando algo engraçado. Queria mesmo saber se o mundo seria superlegal sem a minha mania de sair cantando pela rua, com a primeira música que vier na cabeça de companhia. Ou que resistiria ficar muito tempo sem me ver chorar por qualquer filme ou seriado. Chorando pela cena de novela. Chorando pelos meus problemas e os problemas dos outros.
Eu, sinceramente acho que o mundo precisa dessas coisas bobas. Dessa coisas de se reconhecer, que se é essencial. Eu sou essencial.
Se você não é, pelo amor de Deus, se olhe no espelho agora e veja a pessoa maravilhosa que você é e ainda pode se tornar. Sim, eu acredito piamente que as pessoas podem mudar e sempre pra melhor. Não me canso de me olhar no espelho e achar que todo o mundo deveria ter mais loucura e menos preocupação.
Eu sei que a vida não é fácil, mas se fosse, confesse, seria um saco. Um saco e meio, pra dizer a verdade.
O que seria do mundo sem as letras de músicas dolorosas? O que seria do mundo sem alguém pra ouvir essa letra “sabotadora” de corações?
Veja as coisas boas por daqui em diante. Veja que o mundo precisa, REALMENTE, de você. E que outras pessoas precisam de você. Precisam desse seu sorriso, mesmo que você esteja um CU de mau-humor. Dê um sorriso pra quem não tem nada a ver com os seus problemas. Nada mais justo.
Alguém está se lixando pra o que você sente, e você tem que fazer o mesmo: cagar e andar. Mas cague e ande Sorrindo, por favor.
Hoje, por exemplo, estou aqui sentadinha na minha cama, com essa camiseta preta que eu sempre visto porque adoro, e esse shortinho colorido que eu odeio, olhando pros meus ursos de pelúcia (Sim, o Floquinho está aqui), minha Magali (da turma da Mônica) que chamo de Bolota, com meu celular ao lado, a droga do meu travesseiro no meio das coxas e em cima dele, o meu laptop, escrevendo o que me dá na telha, colocando um monte de coisas que não têm nada a ver, pra poder justificar que eu queria estar mais inspirada.
Estou ouvindo o melhor da Legião Urbana e Los Hermanos. E nesse exato momentinho “Metal contra as nuvens”...
“...É a verdade que assombra. O descaso que condena. A estupidez é o que destrói. Eu vejo tudo que se foi e o que não existe mais...”
Realmente, se foi tanta coisa. Tanta.
Lágrimas, sorrisos, sonhos. Nem sei dizer o que sobrou, mas sei o que vai surgir.
Eu chorei um dia desses por estar sentido aquelas dores que a gente não sabe explicar por que dói (ô frase boba). Chorei porque eu sentia aquela dorzinha de choro preso. Chorei porque algo doía mesmo dentro de mim.
“Tudo passa... Tudo passará..”
“Vai a merda Renato Russo. Você não sabe de nada.”
Juro que larguei essa frase com o pedacinho da música que tocou agora. E eu me pergunto: e quando passa?
Todo mundo, eu disse TODO MUNDO, sabe que as coisas passam, mas essas merdas não têm validade, não têm data certa pra parar.
O que me consola é saber que eu posso contar com a lua e as estrelas. Pelo menos elas não me lembram algumas coisas. E lembrar, infelizmente está me sendo de um castigo imundo e nojento. Tem coisa mais dolorosa que lembranças? Principalmente aquelas que você queria colocar numa caixinha, e mandar via sedex pra pessoa as ver, sentir, saber como você está se sentindo.
Sim, as pessoas dizem que sabem o que você está sentindo. NÃO, ELAS NÃO SABEM. Se soubessem conseguiriam um jeito de parar tudo. De dar um basta, de se fechar, de sumir...
Eu to procurando sumir pra ver se as dores param. Eu to procurando não dormir pra ver se eu paro de sonhar. Até sonhar ta me incomodando.
E você pensa que eu devo estar de péssimo humor ou chateada. Que eu devo estar com ódio e com vontade de mandar a puta que o pariu. Na verdade eu até queria, mas isso não bastaria. E sentir ódio não é muito comigo. De quem eu deveria MESMO sentir, eu não sinto, imagina de quem um dia eu gostei.
Hoje, pensando nessas coisas de me achar suficientemente essencial ao mundo, às pessoas, aos amigos, à minha Bolota e a algumas pessoas que só esbarram comigo na esquina, fico pensando o que achariam de mim se eu contasse uma das histórias que não vão fazer parte do meu livro.
Será que se alguém soubesse de verdade o que eu queria dizer, o que eu to sentindo, alguém viria me salvar?
É, eu preciso ser salva.
Bom, o comecinho é assim...
...
"Era uma vez alguém que começou uma história antes de mim. Antes que eu pudesse me colocar como protagonista (ou antagonista?).
Era uma tarde como outra qualquer na frente do computador. Lembro como se fosse ontem..."

Quer saber, né?

Não, essa história não vai estar no livro. Ela vai estar guardadinha numa caixinha preta embaixo da cama. Com a poeira e a vassoura que as vezes irá cutucá-la. Nada mais.

12 de março de 2009

Uma Abundância.


Aconteceu no dia que eu não consegui dar um sorriso. No dia que eu estava com a cabeça a mil por tantos probleminhas bobos. No dia mais quente e que o ventilador rodava ao contrário.
Estava sozinha em um apartamento em plena cidade da alegria: Salvador.
Não tinha nada pra fazer. Não tinha nada pra comer. Todo mundo tinha saído pra contemplar o seu bloco, suas mulheres, seus homens e eu ali, sentada, pensando que poderia estar na rua “vendo a banda passar...”.

Levantei de supetão. Quase que sem esperar que pudesse fazer isso mesmo. Com o cabelo armado, um vestido simples, batom na boca, sandália de dedo fui ver a cidade se movementar.
Não muito longe dali a cidade fedia a carnaval. Cerveja, suor, refrigerante, cachorro quente, mais cerveja e alfazema. Uma mistura que não causava enjoo. Não mais que o óleo queimado da fritura do acarajé, mas que nessas horas não passava de uma fumaça despretensiosa.
Depois de peruar, ouvir cantadas baratas, me proteger da chuvinha que estava sacana... Eis que quando eu menos espero, lá está. Aquela que eu não esperava encontrar. Aquela forma redonda e bonita. Mas o que vi foi mais que um movimento. Foi aquela mistura de ginga com sutileza. Um trato entre o malandro e o burguês. Uma coisa que anjos e demônios têm. Aquela bunda linda, redondinha e sei lá mais o que. As palavras fugiram.
Estava tão enfeitiçada que não vi a polícia superdelicada da Bahia passando na minha frente. Não vi que se tratava de um policial e não de um filho de Gandhy, que eu tinha em mente ser nora um dia. Não. Se tratava de um “não-civil”, de um homem faminto por confusão e com o cacetete afiado pra acertar o primeiro brigão da noite. E aquela bunda, de frente pra mim. Me olhando. Me mirando.
Porra, nunca vi uma forma tão bonita. Fiquei pensando que o rosto deveria ser deformado, cheio de marcas de um passado tão típico de quem usa a força. Imaginei a altura do cidadão e pensei em outras coisas. O tamanho das mãos e como ficaria bem como filho de Gandhy (preciso parar de pensar nesses homens. Já os citei duas vezes).
Quando eu havia me apaixonado pela primeira vez por uma bunda de menino, lembro que foi com uns 17 anos de idade. O menino jogava basquete na escola e sempre aparecia com um blusão branco e sua bermuda de pano de fundo de short. Sim, aquele pano vagabundo que não serve pra enxugar uma gota de suor. E ele tirava a camisa nos treinos e ficava com aquelas covinhas a mostra, sua bela bunda redonda e DURA para lá e para cá. Ficava suado naquela região das covinhas e colocava a mão na cintura pra ver se tirava o cansaço do corpo. Um balé de curvas, meu Deus.
Quando tudo parecia perfeito, em um treino que coincidia com o meu horário de educação física (que eu nunca fazia), fiquei lá olhando pra ele. Não olhava pra o rosto da criatura. Aquilo não me interessava. Era ela, a bunda dele, que me interessava. E ficava sentadinha pensando como seria um prazer imenso poder pegar só uma vezinha. Uma mísera vez. E suspirei: “Aiii.. que bunda linda esse menino tem”.
PRA QUE EU FIZ ISSO?
Todos me olharam. TODOS!
Professores que estavam perto, os colegas dele, meus colegas e, CLARO, ELE.
Que vergonha! Que absurdo da minha parte. Não se pode ir elogiando uma bunda assim, do nada. Ainda mais masculina, que é tão esquecida por motivos machistas.
Pra resumir, confesso que fiquei morta de vergonha e não fui a mais nenhum treino. Mas acabei namorando o dono da bunda. SIM. Namorei quase um ano com ele e pegava “na minha bunda” a hora que eu quisesse. Era minha quando estávamos de namorico.
Depois disso, sempre olhava umas aqui, outras ali. Ficava imaginando que arrumaria um namorado que tivesse uma igual aquela, aquela e aquela outra. Nunca escolhi namorados pela bunda, mas convenhamos que ela me deixa doidinha da silva.
Graças a Deus, tive sorte em conseguir namorar uma bunda mais perfeita. Opa. Quer dizer, com um rapaz com a bunda mais perfeita ainda. (risos)
Me lembro que depois do sorriso e dos olhinhos apertados, a bunda dele era a coisa que eu mais gostava nele e era a mais maravilhosa que eu já tinha visto na vida. Sim, venceu a bunda do namoradinho da escola, do namoradinho dos tempos de faculdade. Aquela bunda era “A bunda”. Linda, linda.
A história acabou, mas a paixão por aquela coisa branquinha e empinada não acabou.
Como pode ser uma coisa tão durinha e perfeitinha?
Ai, Deus, obrigada por me dar olhos tão bons e um gosto estranho.
Mas, pensando na bunda que virou motivo pra eu escrever aqui. Aquele maldito (ou bendito?) policial baiano. Aquele moreno, que depois vi que tinha um sorriso iluminador e eu, CLARO, pedi informações sobre algum lugar que eu nem lembro agora, só pra saber se ele seria gentil e tinha uma voz bonita, me deixou enfeitiçada. Acho que ele notou que eu olhava para todas as bundas que passavam, mas em especial à dele. Fiquei por lá mais de uma hora e ele também. Quando ele virava, eu mudava de cadeira. Quando ele ficava de costas pra mim, era aquela suspirada. Era só o prazer de olhar. Contemplar.
Depois dele ter me abandonado na rua da amargura para continuar a sua rota carnavalesca, lembro quando um filho de Gandhy passou (de novo?) e me deu uma vontade tão sórdida de ir até lá e levantar aquela roupa e ver se aquilo pontudo, arrebitado, volumoso era a bunda dele mesmo. Pensei que era uma mochilinha, sei lá. Se fosse, ia dizer pra ele se mancar e que mochila é pra se colocar nas costas. MAS NÃO ERA UMA MOCHILA. Era ela. Aquela de que tanto falei e admirei.
O segui até o Morro do Cristo pra ver se ele parava e comprava algo.
Deus é mais!
E não é que ele parou pra comprar bala em uma barraquinha? Com certeza era pra ficar com o hálito bom pra beijar a mulherada.
Não tive coragem de chegar perto porque o homem era bonito mesmo. De verdade. Daqueles que é difícil de ver por ai.
Mas ele me notou.
PAUSA DA HISTÓRIA.
...
Continuando...
Pense num sorriso de satisfação quando vi que ele tirou o dinheiro de uma mini-carteira e não da fictícia mochila que eu achei estar lá atrás.
Maldição. Aquela bunda era realmente bonita. E me fez andar mais de 15 minutos.
Bundão!

Naiane Feitoza