20 de janeiro de 2010

O lixo. A merda. O rato. O fedor.



Uma das coisas que mais marca em uma pessoa quando me conhece é o meu desinteresse/desprezo pelas pessoas. Simples assim. Não fui com a cara, meu santo não bateu, uma palavra errada, um comentário mal colocado, uma arrogância... fodeu! Eu, simplesmente, ligo meu botão do “você não existe” e sigo andando, cantando e saltitando.
De uns meses pra cá isso vem acontecendo com mais freqüência.
Outra coisa que marca muito uma pessoa quando me conhece, é a mistura disso tudo do primeiro parágrafo com o fato de eu conhecer uma pessoa há tempos e criar abuso/nojo/horror/ojeriza/asco da existência dela, porque ela me fez alguma coisa ou, pior pra ela, fez algo com alguém que eu gosto/amo/adoro. O fato é: aprendi a ser pior a cada dia.
Eu não venho com aquele papo de dor, de desprezo, de raiva, não. Eu to falando é de HORROR a pessoas assim.
Se você foi deletado e jogado na sarjeta da minha vida (ou da vida das pessoas próximas a mim), que diabos você pensa que está fazendo, ainda, tentando se aproximar de algo?
Sério, acho ridículo um cachorro querer ser humano. Ou um rato querer ser um gato. Lixo é lixo e ponto final. Eu não reciclo nada. Sou adepta ao novo e jogo o que foi usado lá debaixo do morro. É, no pior lugar da face da terra.
Ora, convenhamos, o que virou merda e que um dia disse que era um luxo, com certeza não soube fingir sua máscara nova do jeito certo. É como se uma merda ambulante andasse disfarçada de um vidro de perfume bem bonito, bem caro, sofisticado, mas quando abrisse o frasco lá vinha aquele cheiro maldito. Aquela coisa que toma conta do ambiente e fede. Fede pra caralho.
Eu não gosto de mau cheiro. E é por isso que eu excluo os cheiros, os ratos, os cachorros e o lixo que as pessoas se transformam na minha vida. Excluo a merda, entende?
Engraçado como existem pessoas que não entendem que sempre foram isso e ainda insistem em dizer que têm sentimentos, que têm carinho, que têm como ocupar certos espaços. Só se for o espaço do meu vaso sanitário, meu bem.
Gente que acha que ainda é referência de alguma coisa (de amizade, amor ou falsidade), deveria se tocar e perturbar outras pessoas.
Ah, vamos lá, o mundo ta cheio de gente que adota esse tipo de pessoa. Eu, particularmente, não tenho cara de Madre Tereza, ou algum presidente da UNICEF e muito menos amparo animais jogados no lixo; tão menos sou gari, porra.
Se coloque no seu lugar e suma, ué. Não foi isso que sempre soube fazer? Não é isso que as pessoas de má índole fazem pra dizer que “não se importam”?
Esse papo de saudade, de que quer ter contato, não dá pra engolir. Quem faz contato é E.T, meu amor. Eu sou da terra e não gosto da NASA.
Eu conto até mil pra não explodir e chutar um cachorro morto. Eu conto até doze milhões pra não magoar uma pessoa que está no meio de uma merda que faz questão de feder (só pra dizer que existe), porque magoar essa pessoa é magoar a mim mesma. É ferir meu coração. É desdenhar a certeza da minha vida.
Não sei se todo mundo lê esse blog. Não sei nem se ratos sabem ler. Mas sei que a merda olha aqui de vez em quando e queria muito que a merda virasse logo PÓ e sumisse por ai, pelos ares.
Adicionar pessoas próximas. Aparecer por msg. Mandar os outros ligarem. Fingir de morto e depois dar uma de coitado que se suicidou... iiiih, isso é coisa de gente não profissional (ou seria, lixo não profissional?).
Faça que nem eu, ué.
Despreze, ignore, tenha nojo, horror. SUMA. Seja uma pessoa MUITO odiada, mas com respeito, po. Eu sou odiada de uma maneira bonita porque eu não perturbo ninguém.
Eu? Perder meu sono? Adicionar as pessoas pra aporrinhar outras e ainda dar o ar do fedor?
EU?
Nããããooo, eu sou mais aterrorizantemente detestável por conta do meu descaso.
Faça o mesmo. Ou melhor, se mata. É, isso. Achei a solução. Você seria mais útil morto.
E daí que é pecado desejar a morte do próximo? Nunca disse que era santa.
Ai, você fede embaixo da terra e não mais aqui em cima. Ai, quem sabe, se der tudo certo, a gente se encontra no inferno e acertamos as nossas contas.
Opa, esqueci!
Não vamos nos encontrar no inferno. Eu vou pra lá rever alguns amigos, rir um pouco, quem sabe?
Mas você vai pra fossa. Quando der, eu falo com o diabo pra eu te olhar lá de cima. Ou você pensa que a fossa fica a cima do inferno?
ENGANO SEU.
Funciona assim: O céu é lá em cima, o inferno é no meio, o lixo é um pouco abaixo. Ai vem o sujo, depois vem mais lixo, ai vem a fossa, DAÍ vem você. ;)

Me espera. ;*

Naiane Feitoza.

28 de dezembro de 2009

2010.



O que eu quero pra 2010?
Estive pensando nisso há dias e se quer mesmo saber, eu não queria nada pra 2010. Como uma vez eu disse: “Deixo na mão de Deus”.
Mas como me conheço e sei que sempre volto atrás em algumas coisas (é, eu não tenho vergonha na cara MESMO), eis os meus pedidos de 2010 e meus votos de falecimento para 2009.
  • Eu quero uma vidinha mais ou menos. Com dinheiro pra pagar as contas em dia e um trocado sobrando pra viajar por ai.
  • Quero essa paz de hoje até o dia 31.12.2099.
  • Quero comer muita pipoca com os meus sobrinhos e morrendo de rir com os filmes infantis que tanto assistimos e nos divertimos (mesmo o Guga rindo da gente e não entendendo nada).
  • Quero o meu sorriso de besta velha quando vejo uma vaquinha numa vitrine.
  • Quero meu coração batendo acelerado quando o avião decolar e quando ele pousar.
  • Quero um frio na barriga na hora de pegar o buquê do casamento da minha amiga.
  • Quero o stress do meu trabalho e a minha cama no fim da tarde.
  • Quero os meus livros na estante e ter dinheiro pra comprar um novo todos os meses.
  • Quero poder chamar palavrão todas as vezes que eu quiser e ninguém achar estranho.
  • Quero chorar de rir até a barriga doer.
  • Quero ter vontade de ir e voltar sempre que eu quiser.
  • Quero dizer mais “sim” do que “não”.
  • Quero sempre ser dependente do meu celular, se isso agrada meus amigos.
  • Quero ir à Salvador e colocar minha fitinha na Igreja do Bonfim e dizer “muito obrigada”.
  • Quero tomar banho de mar e dizer à Iemanjá que ela ganhou uma fã.
  • Quero tentar começar, de verdade, minha biblioteca.
  • Quero me dedicar à minha saúde.
  • Quero escrever, escrever e escrever. Sempre e sempre.
  • Quero não esquecer de fazer meu ritual de todas as noites, mesmo nas que eu chego bêbada e nem sei onde está o algodão e minha loção de limpar o rosto.
  • Quero aprender a dançar tango.
  • Quero que o Brasil ganhe a Copa do MUNDO.
  • Quero continuar com o meu sonho de ser mãe.
  • Quero a saúde dos meus avós e dos meus pais (que já têm certa idade).
  • Quero gastar menos com sapatos, porque os 45 pares não cabem mais em lugar nenhum.
  • Quero dizer que amo diversas, inúmeras, repetidas, eternas, ENORMES vezes até meus amigos enjoarem.
  • Quero continuar acreditando que a vida é justa SIM.
  • Quero parar de perder tempo odiando algumas pessoas.
  • Quero selar a paz com o meu passado pra garantir a paz do meu presente.
  • Quero aprender a andar de bicicleta e atravessar a rua sozinha (OLHA, isso não quer dizer que eu queira correr. Isso já é outra história).
  • VOU me desfazer de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
  • Quero ainda acreditar nos meus sonhos, nos milagres e no meu amor.
  • Quero sabedoria, paciência e generosidade na minha vida.
  • Quero perdoar tudo e todos.
Não preciso de muitas coisas. Preciso de pouco do muito e muito do pouco.
Tem uma música da Elis Regina que fala precocemente o que eu quero da minha vida. Sempre a cito dizendo que ela é quase o meu futuro, pelo menos, o que eu quero pra mim.
"Casa no campo".
As vezes choro quando noto que é de todo aquele pouquinho que eu preciso. Só. E não custa nada.
"Eu quero uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz..."

Quero um luar bonito, ótimas noites de sono, um violão, um ventinho fresco, umas vozes e algumas gargalhadas. Quero uma canção pra embalar meus sonhos. Quero uma força pra empurrar meus amigos pra frente.
Quero o sorriso cansado. Quero um disco. Quero silêncio e quero um beijo de boa noite.
Nada mais.

É 2009, você morreu, infelizmente. Do mesmo jeito que você me fez bem, você também me fez o pior. Mas como sempre dizem por ai: “Há sempre o lado bom das coisas ruins”.
Eis o lado bom da minha vida em 2009. Aprender. Nada mais que isso.
Enterro você junto com o que ficou de ruim e lembro de você só com as coisas boas.
2010 ta ai e eu não posso perder meu tempo choramingando com o que passou.
2009 acabou e que venha 2010.
Te recebo com um enorme abraço.

“O melhor está por vir”.

;)

12 de dezembro de 2009

Que livro você é?



"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.



*

Esse é o livro que eu sou, fiz em um teste da Editora Abril e veja só...
Nossa, SOU EU MESMA.Quem diria que até nesses testes eles "sabem" quem sou.
Quer fazer?  Olha ai:  Teste

10 de dezembro de 2009

Aprendizado.




Uma coisa nós mulheres não podemos negar: quando o fogo de uma mulher que está em celibato HÁ MESES bate... raaaa.. ele bate com força. E isso, minha gente, não seria diferente com a doce e sofrida Olga.
Depois de alguns meses analisando a sua pobre vida de “namorada abandonada por um namorado legal, mas com o relacionamento mais destrutivo da sua vida”, pensou que passar uns meses, vamos dizer, se esquivando do sexo masculino e principalmente do sexo em si (o ato, minha gente), viveria feliz e acharia o seu eixo.
Já estava tudo resolvido dentro de Olga. Estava com o emprego dos seus sonhos, o cabelo tinha crescido desde a última vez que cortou porque esqueceu de penteá-lo algumas centenas de vezes, estava com a pele mais bonita, as pernas e o bumbum no lugar graças a maldita academia que ela vinha pagando e praguejando nos últimos 7 meses e lá, em um lugar onde só Olga sabe descrever, estava a maldita vontade de dar.
Sim, ela queria dar. Fazer sexo. Trepar. Sentir um corpo pesado sobre o seu, bem estilo Marisa Monte. Ela queria ser comida, oras.
Só que Olga se prometeu uma coisa logo que terminou seu lindo namoro absurdamente dramático: que JAMAIS voltaria a amar alguém e viveria um ano em pleno celibato. Quase uma freira, melhor dizendo. E nem a famosa masturbação de pós menstruação (pra quem não sabe, mulheres quando estão menstruadas ou logo depois da bendita, ficam EXTREMAMENTE assanhadas. Quase um cio, sabe? Um absurdo!) estava ajudando a pobre criatura.
Melhor dizendo, se via em bundas por não ter um “João” pra dar um prazer de vez em quando aquela pobre alma e aquele corpo malhado. Nenhum amigo. Nenhuma amizade colorida. Nem uma sapatão que pudesse, sei lá, fazê-la sentir-se diferente. Nada. Nadica.
Eis que um dia, saindo de casa com as amigas, pra aquele velho bar de sempre e com as mesmas companhias, decidiu o que nunca havia passado pela sua cabeça: “Hoje eu vou dar essa porra pra o primeiro idiota que aparecer”.
Olga se viu linda no espelho do banheiro do bar e até retocou o batom. Voltou desfilando a mesa com suas amigas e disse em bom tom: “esqueçam a Olga sofrida e metida a castidade. Hoje eu vou comer alguém!”. Todas ficaram com a boca aberta vendo tamanho assanhamento. Não sei, parecia mais um estupro à humanidade.
Olga querendo dar?
Só poderia ser um sonho.
Mas não era. Era o milagre do século. Olga estava afim de se libertar.
Suas amigas não eram santas, mas passavam longe de ser vulgares e oferecidas. Eram mulheres decididas que nunca sofreram por amor daquele jeito e queriam tirar Olga daquele maldito luto há muito tempo. Concordaram com tudo e começaram a ligar para os amigos. Nem deu meia hora e surge, DO NADA, sem ninguém ligar, sem lembrarem da existência dele, Sérgio. Lindo, lindo e lindo.
Sérgio era instrutor de academia de Samara, amiga de Olga, que tinha sempre contato com homens lindos (ela era linda. Detalhe!). Quando viram Sérgio chegando ao bar não pensaram duas vezes e o convidaram pra sentar à mesa. Olga viu o “partido” que lhe arrumaram e não pensou duas vezes: “é ele”.
Passaram-se exatamente uma hora de conversas engraçadas e muitas cervejas. Tantas que Olga ia ao banheiro quase correndo, pra não perder o fio da conversa que ficava para trás. Em uma de suas voltas dá de cara com Sérgio saindo do banheiro masculino e se encaram. Foi a deixa. Um beijo longo e forte. Respiração ofegante e em menos de 5 minutos um convite: “vamos sair daqui?”. Olga não pensou duas vezes e foi. Ela queria comer alguém e Sérgio era o seu prato preferido... Homem disponível, bonito, inteligente e que não quer compromisso. Ela também não queria. Só queria matar algo dentro dela. Aquela libido desgraçada.
Foram para a casa dele. Ela até se assustou um pouco, mas fazer o que? Na casa dela é que ela não o levaria. Não queria se sentir culpada por coisas de dentro do seu coração e que a idiota não iria explicar depois que começasse a chorar para Sérgio.
Enfim, na casa dele, logo que entraram, ela só sentiu o agarrão. Puxa daqui, escorrega dali, aperta de lá. Lambe. Beija. Chupa. Ri. Suspira... eita que ela ainda sabia fazer as coisas. Quando se viu, finalmente, fazendo o que queria fazer, sentiu uma vontade enorme de pedir que ele chamasse o nome dela. É, Olga adorava fazer essas coisas. Sentir-se desejada, lembrada... essas coisas. Pediu que Sérgio chamasse o seu nome de-ses-pe-ra-da-men-te.
Sérgio como todo homem bonito, BOM DE CAMA (ô Olga sortuda), cheiroso e além de tudo, nada desbocado, solta o seu primeiro pecado da noite: diz que AMA Olga.
“Como assim? me ama?”
Olga parou pra pensar enquanto estava em cima dele na sua mais nobre cavalgada e repetiu diversas vezes as mesmas perguntas: “ele é louco? Ama? Que isso?”. Pensando estar maluca, pediu que ele a chamasse de “gostosa”, pra quebrar um pouco a história do nome dela. E ele, fala em alto e bom som: “Ai, Olga, você é muito gostosa. Quer casar comigo? Hein? Vamos ter filhos?”.
ALTO LÁ.
Olga não sabia que porra estava acontecendo, mas parou na hora com aquele pedido de casamento. Parou e pediu na sua maior sutileza: “saia de dentro de mim”.
Ele não sabia o que fazer e começou a pedir desculpas. Disse que havia tempos que estava apaixonado por ela, que ele sempre estava nos mesmos lugares que ela e que não conseguia parar de pensar nela. Olga estava tão assustada que a única coisa que conseguiu fazer foi procurar as suas roupas e pediu pra ir embora (já que não sabia onde ficava a porta de saída).
Tentou explicar que aquilo era muito pra ela e que ela só estava tentando apagar um fogo dentro dela. NADA MAIS.
O Sérgio, coitado, ficou sem entender. Perguntou se todas as mulheres eram assim e que ele não acreditava que ela, LOGO ELA, a princesa de seus sonhos seria assim, uma aproveitadora.
Olga riu pra não ter que voar na cara dele e lhe ensinar como se escreve “aproveitadora” na cara de um sujeito com uma faca, e ficou ali, olhando pra cara de Sérgio como se tivesse dado um estalo: “então é assim que funciona? Você está levando o que tantas vezes eu levei”.
Olga saiu de lá quase saltitando. Não por ter feito sexo pela metade com Sérgio, não é isso. Saiu feliz e serelepe por ter se vingado de muitos homens. Saiu feliz por ter partido um coração que ela não sentia culpa alguma por ter feito. Saiu feliz por ter feito sexo sem sentimentos e ainda ter dito a melhor frase que ouvira em toda a sua vida (explodindo em seus pensamentos): Eu sou mais macho que você, seu maricas.

Naiane Feitoza


9 de dezembro de 2009

Mulheres e aquelas lá...




"Algumas mulheres são como sereias: extremamente sexys, confiantes, atraentes sem fazer o mínimo esforço, nos oferecendo prazeres infinitos e uma pitada de risco. Sua voz é encantadora, seu corpo perfeita encher nosso olhos, seus movimentos são cheios de beleza e atitude.
Outras conseguem ser a amante ideal, nos fazendo sentir mais importantes. Tornam tudo o que é sensual e sexual em algo mais profundo, espiritual e estético.
Outras, ainda, conseguem ser tão naturais como uma criança encantadora, nos enchendo de uma irresistível sensação de prazer, como se estivéssemos voltando ao paraíso dourado da nossa infância.
 Existem também aquelas que, de tão auto-suficientes, possuem uma frieza fascinante. Mulheres encantadoras que querem e sabem como agradar. Mulheres carismáticas, que têm uma confiança extraordinária em si próprias e, finalmente, mulheres que são tão etéreas e misteriosas que seu brilho natural se compara ao das estrelas.

Ao longo da História, as mulheres, muitas vezes não tendo como competir com as armas e as forças dos homens, inventaram a arte da sedução. Foram mulheres que conseguiram mudar muita coisa no mundo por causa de sua atitude, coragem, beleza, encanto, criatividade…
Mas parece que, em pleno século XXI, ainda existem mulheres que não aprenderam a lição, a ponto de se tornar anti-sedutoras. Fadadas a morrer sozinhas ou, na melhor das hipóteses, passar o resto de sua pobre vida numa mediocridade incalculável.
São mulheres inseguras, que não têm a mínima noção do que realmente é a vida. Elas não percebem que estão incomodando; que estão tomando certas liberdades não concedidas só porque têm “aquilo” que todo homem gosta. Não percebem que estão falando demais… Falta-lhes sutileza, graça, brilho, encanto!

Esse tipo de mulher geralmente está fechada em suas necessidades, ansiedades e inseguranças. Interpretam um mínimo gesto ou palavra brincalhona como uma desfeita ao seu ego. Queixam-se amargamente de pequenas bobagens e vêem o retraimento das outras pessoas como uma enorme traição. É bom tomar bastante cuidado com esse tipo de gente ou elas farão você cair na armadilha dos relacionamentos insatisfatórios (incluindo-se aí até mesmo uma simples amizade).
Esse tipo de mulher é daquelas que te cobre de elogios muitas vezes não merecidos; declaram seu amor antes mesmo de saber qualquer coisa sobre você…
É melhor se livrar de mulheres assim, antes que elas mergulhem seus tentáculos carentes em você! São pessoas que possuem um enorme vazio anterior, um poço profundo de necessidades que não pode ser enchido. É gente rígida, que segue idéias prefixadas e tenta fazer você se curvar aos seus padrões, lhe criticando e julgando nas mínimas ações. E, o pior de tudo, para esconder suas inseguranças e medos falam demais (e, geralmente, quem fala demais, vive falando de si mesmo, contando vantagens ilusórias). Não têm aquela voz interior que pergunta: “Estou sendo chata?”. Egoístas, é isso que são.
A melhor maneira de evitar envolvimento com esse tipo de criatura é simplesmente se afastar. Nunca se zangue. Em vez disso, tenha apenas uma atitude distante; não lhes dê atenção; faça essas “damas” sentir que não têm a mínima importância para você.
O melhor antídoto para uma “anti-sedutora” é você mesmo ser um “anti-sedutor”!"


* Texto do meu queridíssimo Silvio Carneiro, que o postou em seu blog (só clicar no nome dele ai que vai pra lá, ta?).

Ahhh, essas noites gloriosas que enchem a nossa noite de inspiração e nos matam de rir a toa. 
"Puta que pariu, de novo..."
To tentando saber qual daquelas mulheres ali em cima eu sou. ;*

27 de novembro de 2009

B1 e B2. E dai?





Estava pensando em escrever um texto daqueles que fazem a gente chorar. Sei lá, contar a história da Maria que está triste, triste, triste porque perdeu o seu chaveiro preferido ou que simplesmente não sabe mais o que é amar.
Estive pensando seriamente nisso esses dias e decidi uma coisa que nem sei como acontece dentro de mim: vou escrever sobre vitória.
Vitória dos bárbaros perante os fortes e das mocinhas que conseguiram votar. Do povo oprimido da década de 70’ e que hoje vaga por ai votando nos imbecis que ainda nos consolam com seus discursos bem elaborados por seus assessores (ou vocês acham mesmo que são só eles que fazem tudo aquilo?). Não tenho mágoa dos políticos, tenho é mágoa de quem vota neles.
Queria falar da vitória do moço que superou o medo de nadar e da senhora que voltou a andar. Da vitória de uma mulher ter tentado engravidar mais de 10 anos e quando desiste, consegue gerar 3 filhos de uma vez só. Vitória da Flor de Lis que adotou 50 crianças no Rio de Janeiro e que choro todas as vezes que vejo o trailer do filme que fala da vida dela.
Vitória sobre os medos. Vitória sobre as derrotas que ficaram para trás e hoje são só aprendizagens. Vitória de ver o sorriso de uma criança e a cor do céu. Vitória por ter um corpinho bonito mesmo sem malhar e a cerveja não acabar com a minha barriga “quase” tanquinho. Vitória de ser quem eu sou e ter pessoas que me amam do jeito bobo que sempre serei.
Agradeço todos os dias por todas as coisas boas que estão acontecendo e tento me concentrar que tudo isso está acontecendo porque eu mereço. Mereço essa vitória por ter enfrentado o maior desafio da minha vida: abrir uma exceção.
Quem me conhece sabe do que estou falando. Sabe o quanto eu sou carrancuda, mimada, brigona, cabeça quente e dura. Sou quase uma Viking dos tempos modernos. Grossa, estúpida, desbocada, malvada, que tem mania de perfeição e coloca defeitos em tudo que está em volta. E a cima de tudo, sou completamente vingativa e não volto atrás. Ou não voltava.
Mas como todo mundo sabe e está escrito nas histórias em quadrinhos, infantis, ficção, não ficção, espírita, pornô e até em pára-choque de caminhão, “o mundo dá voltas”, e numa dessas voltas ele me ensinou que eu posso ser tudo que sempre fui (aqueles defeitinhos feios ali) e mesmo assim, ter a minha exceção.  Só uma. A única. Só pra dizer que eu tive pelo menos essa durante a vida.
Posso abrir a exceção de perdoar e querer ser perdoada. Posso querer sair vitoriosa de uma situação desculpando uma pessoa e me tornando melhor por querer ser melhor e sem ferir ninguém. Olha que bonito.
Sabe, hoje o que me move não são as buscas incansáveis da perfeição. O que me move não são as manias feias de procurar a paz, o amor e ser a todo custo, como uma adolescente irritada, compreendida e notada.
Depois de uma bela topada numa pedra você aprende quais (quem) são suas prioridades. Aprende a se olhar no espelho um belo dia de final de semana, depois de ter chorado rios de lágrimas, e dizer a si mesma: “Olha aqui, caralho, ô tu vives sem isso ou tu voltas atrás e tenta consertar a burrada que começou por você”. Não é fácil nem admitir que é a gente que começa algo de errado nessa vida. Mas o espelho tinha que saber que eu era a culpada de muita coisa e não podia mais me olhar ali, sem mais nem menos, e ficar bem.
Me perdoei e perdoei o passado. Perdoei a dor. Perdoei o que machucou e coloquei minha lista de prioridades de novo na minha frente.
Eu sempre tive a minha paz perto de mim. Sempre tive o amor perto de mim. Sempre tive a perfeição perto de mim. Uma vez, um velho sábio que costumo chamar de “homem da minha vida” me disse a coisa mais certa desse mundo: “A perfeição está nos pequenos erros. Se você os ver e aceitá-los você será uma pessoa mais feliz”. E não é que ele tinha razão? Sonhei até com esse danado essa noite. Espero que ele esteja bem lá pelas bandas da Paraíba ou Recife. Quem sabe? Os sábios não têm paradeiro mesmo.
Ele tinha razão em tudo que sempre falava e me fez enxergar isso no dia do espelho. Até ri depois falando que era “a teoria do espelho”.
Como nós fazemos tanta burrada nessa vida, não é mesmo?
Mas nós podemos mudar o caminho, mudar os planos, mudar as idéias e mudar os pensamentos. Eu mudei e mudaria quantas vezes fossem preciso.
Mudei pra conservar um amor verdadeiro. Acho que o único que vou ter certeza até o fim da minha vida. O amor da minha amiga.
Ela é minha exceção. Ela é minha vitória e sei que vai ser “enquanto eu viver”. Como na música do Claudinho e Buchecha que tocou, EXCLUSIVAMENTE E EXCEPCIONALMENTE, ontem pra me lembrar, até nesses momentos chatos, o quanto somos NÓS  a grande diferença.
Nossa música, amiga... nossa música tocou ontem.
Egoísmo? Boiolagem? Frescura? Disputa?
Não. Não é nada disso.
É só amor. E quem não sabe o que é isso, não opine, não dê palpite, não meta o bedelho. Se nem um erro nosso nos afastou, imagine um comentário de uma terceira ou quarta pessoa.
Agora pense numa coisa: pense em duas pessoas felizes. Pensou?
Agora imagine o meu rosto e o meu sorriso numa dessas pessoas e depois imagine a minha amiga no rosto da outra pessoa.
Isso! Bem pensado, com as gargalhadas podres e as lágrimas de tanto rir saindo do cantinho do olho. Agora imagine que estamos longe, bem longe de toda a maldade. E depois imagine a gente contando TUDO uma pra outra. Depois imagine nós duas rindo mais ainda e dizendo: “Jaaaaaamaaaais”.
É, essas idiotas somos nós. Essas bocós que dão risada do nada e que tem ciúme uma da outra que dá até vergonha. Essas amigas que a gente sabe que vão, na velhice, se abraçar apertado e rir do bolo mal feito da outra. Aquelas que vão suspirar ao lembrar das pernas do Adriano do Flamengo (ai, imperador!) e vão rir do dia em que tentaram puxar a cadeira ao mesmo tempo lá na Fazendinha.
Essas somos nós. E temos orgulho disso.
A propósito, assistindo dia desses Grey’s Anatomy, lembrei de uma frase que achei perfeita pro momento: “não vou pedir desculpas pelo modo que consertei o que você quebrou..".
É, a vida é uma caixinha de surpresas e eu já abri a minha.
Ah, e voltando a ser a malvada lá de cima.
Que se dane o resto, eu to é bem pra caralho.


Naiane Feitoza




Imagem: nós duas, nesse final de semana passado, fazendo o que sempre fazemos: Nos dando as mãos. 



17 de novembro de 2009

Das palavras de um amado amigo.

Esse texto que vocês irão ler agora é de um graaaaande e amado amigo meu. Ele me enviou em forma de depoimento HOJE a tarde, mas antes, se deu ao trabalho de me ligar e ler todinho pra mim.
Eu chorei de.. de.. alegria, de um sentimento que jorrou aqui dentro.
Sabe, é MUITO bom ouvir isso de um homem. E principalmente quando é mais velho que você, mais sábio, mais interessante, que foi seu professor e hoje é um grande e amado amigo.
Nos vemos todos os finais de semana. Sempre ligo: "E ai, querido retirante, vamos sair em bando? A gang ta acionada". E ele, como sempre: "Mas é claro, meu amor. Onde e a que horas?" E eu: "no mesmo lugar, na hora que você quiser e leve o Negão (seu fiel violão)"
Ai, ai.. noites maravilhosas e risos mais que espontâneos.

Obrigada, Silvio.
Não poderia só deixar num orkut pra algumas pessoas olharem e se assustarem com 12 DEPOIMENTOS. (HAHAHAHAHAHHA)... Aqui é mais bonito.

Imagem: Foto do dia do meu TCC, em 2007. Ele nos permitiu um 9.5 com cara de 10.
Meu grande mestre.

;)




Era uma vez um retirante nordestino que queria retribuir uma declaração de amor e amizade a uma menina, uma mulher, que sabia brincar com as palavras até transformá-las em sentimentos.
Em sua angústia pra dizer a essa mulher o que ele sentia por ela, caiu exausto num sono pesado já em alta madrugada, após encher o chão de sua humilde casa de papéis borrados com letras tortas e manchados de sangue, suor e lágrimas, tamanho fora seu esforço…
Há muito tempo ele – que um dia foi poeta e cantou o amor – não escrevia sequer mais uma linha sobre essas coisas de sentimento. Pensava que essas coisas talvez não existissem mais na vastidão de seu coração deserto.
Em seu sono viajou ao mundo dos sonhos e saiu, do Barroco ao Pós-Modernismo numa jornada solitária para procurar um poeta que lhe ajudasse a ter uma inspiração. Que lhe fizesse escrever um texto à altura daquela “meiga senhorita”…
Gregório de Matos, o “Boca do Inferno”, foi o primeiro que lhe recebeu. Mas foi logo lhe advertindo:
_Eu sou aquele, que os passados anos Cantei na minha lira maldizente Torpezas do Brasil, vícios e enganos…
E completou: “Se o que sentes por esta dama/ É apenas vício de cama/ Escreva-lhe um poema que lhe aumente a chama!”
Mas não era isso que o pobre retirante desejava – apesar daquela mulher ter a mais perfeita formosura que ele já tivesse visto na vida…
Seguindo seu caminho, encontrou Tomás Antônio Gonzaga que lhe mostrou um poema que havia escrito há muito tempo para sua doce Marília:
_ Eu tenho um coração maior que o mundo!
Tu, formosa Marília, bem o sabes: Um coração…, e basta, Onde tu mesma cabes…
_ É, seu Tomás _ disse o retirante: _ a minha “meiga senhorita” é como sua formosa Marília. Cabe todinha no meu coração. Mas, talvez por isso mesmo, está tão difícil encontrar palavras para expressar o que eu sinto por ela… Vou procurar os poetas românticos pra ver se eles podem me ensinar a falar de amor. Quem sabe Castro Alves me ajude…
E, assim, o retirante seguiu seu caminho após agradecer ao mestre do Arcadismo.
Alguns passos adiante e encontra o maior poeta da Terceira Geração do Romantismo. Castro Alves!
Ele se aproxima do mestre meio acanhado. Mas ao percebê-lo, o bom baiano lhe chama e lhe pergunta: “Que queres comigo?
_ Quero aprender a falar de amor. _ Disse o retirante.
Ao que o poeta lhe responde: “Amei de várias formas. Às vezes fui irreverente e disse que ‘amar era melhor que ser Deus’. Outras vezes o amor me tirou do mundo real e eu declarei: ‘Mulher! Mulher! Aqui tudo é volúpia’. Às vezes fui mais discreto e disse ‘Tua boca era um pássaro escarlate’. Noutras vezes, me fiz prisioneiro de imagens eróticas e declarei que ela era um ‘Mar de amor onde vagam meus desejos’… Mas, afinal, o que sentes?
E o retirante, boquiaberto respondeu:
_ Mestre, assim como tu amastes de várias formas várias mulheres, amo esta mesma mulher (que é só uma) de diversas maneiras. Porém, não com volúpia ou meros desejos. O que eu sinto é admiração, amizade, sei lá… estou em busca de respostas… Mesmo assim, muito obrigado!


Seguindo viagem, cruzou com Machado de Assis, José de Alencar e Aluízio de Azevedo. Mas pensou que estes senhores distintos não pudessem lhe ajudar, pois eram muito objetivos, universalistas, materialistas até. Só pensavam no presente.
Passando longe dessa turma de pensadores pragmáticos, o retirante nordestino chegou a um tal “Monte Parnaso” e lá encontrou Olavo Bilac, tresloucado, conversando com as estrelas. E com aquele olhar distante, fitou o retirante e falou como se falasse para o horizonte:
_ “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” Eu, vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto…
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender as estrelas.”
_ Danou-se, seu Olavo! – Disse o retirante com seu sotaque arrastado – Essa poesia é “arretada”! Eu amo minha “meiga senhorita”. Talvez seja por isso que ela tenha me dito em seu depoimento que “A gente aprende sem brigar. Se elogia, se empolga, canta e encanta”! É que nos entendemos pelo olhar, sem precisar falar palavra alguma. A gente simplesmente se entende… Obrigado, seu Olavo! Mesmo o senhor sendo meio “doidim” de falar com as estrelas, me ajudou bastante, “visse”?!
Saindo no “Monte Parnaso”, passou por uma turma “da pesada” que só podia ter fumado alguma “coisa estragada”, pois tudo que falavam eram metáforas simbolistas.
Léguas adiante (já cansado de tanto sol), o retirante pára e pede água a um senhor meio pálido e triste que escrevia à sombra de um pé de tamarindo. Ele mal pode acreditar que estava diante de seu conterrâneo das bandas da Paraíba, Augusto dos Anjos!
_ Bom dia, seu Augusto! – disse o retirante sorrindo e estirando a mão para cumprimentar o poeta.
Mas o poeta, em seu tom sombrio, estendeu-lhe a mão com uma tesoura e lhe disse com a frieza de um cadáver:
_ Tome, Dr., esta tesoura, e… corte Minha singularíssima pessoa.
Ao que o retirante, espantado recuou e disse:
_ Cruz-credo, seu Augusto! Vá pra lá com essa tesoura que eu não sou o seu Dr., não senhor! Eu sou apenas um retirante nordestino que, como o senhor, vem das bandas da Paraíba e, depois de ter ido até o extremo norte desse país, agora vago por aí, procurando uma forma de declarar o amor que eu sinto pela minha “meiga senhorita”…
_ O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja. – falou o poeta interrompendo o retirante.
_ Não, meu poeta! Não é assim não! Tudo bem que o senhor teve uma vida medonha, mas, por favor, respeite minha “meiga senhorita”! Pois seu beijo é mais doce que o doce de tamarindo que essa árvore dá. E se ela me escarrasse, era bem feito pra eu deixar de ser enxerido. Mas ela não faz isso! Quando ela quer escarrar em alguém, ela mexe letras, forma palavras e arregaça o verbo! E suas mãos, poeta, quando afagam, parece até a carícia da brisa marinha que corre lá pras bandas das dunas de Natal! E se ela me apedrejasse, eu nem ligaria. Pois amar essa mulher vale a pena de todo jeito. E eu amo minha “meiga senhorita” inteiramente de graça, sem lhe pedir nenhum tantinho de amor em troca! A gente se ama, meu poeta! A gente se ama e se respeita muito! Tenha um bom dia!
Após mais algumas léguas de caminhada sem fim, e ainda meio triste pelas palavras de Augusto dos Anjos, o retirante escuta um som de música alta e pessoas sorrindo, cantando e bebendo. Eram os modernistas, bem “moderninhos”, por sinal! Lá estavam Mário e Oswald de Andrade e o mestre Manuel Bandeira. Porém a música era tão alta e a festa estava tão animada que o retirante resolveu pedir apenas um copo d’água para seguir sua jornada adiante.
Mas quando já estava saindo, uma mão no ombro lhe fez parar. Voltando-se para o dono daquela mão, reconheceu o mestre Drummond, que lhe perguntou: “O que queres por essas bandas, meu filho? Posso ajudar?”.
_ Procuro uma forma de expressar o amor que eu sinto por minha “meiga senhorita”. O que o senhor tem a me dizer? – perguntou o retirante.
_ A poesia é incomunicável. Fique torto no seu canto. Não ame. _ disse o poeta em tom de Segredo.
_ Desculpe, mas não entendo, poeta! Como não amar uma mulher que corresponde o meu amor do jeito que ela sabe corresponder? Como não amar uma mulher que me deixa “leso, leso” quando diz que eu sou um “projeto de perfeição”?! Com todo respeito, poeta: Sou fresco não, rapaz! Porque, se há mágica nas minhas palavras, como ela diz, nas dela tem feitiço e mel de rapadura. Se há sinceridade no meu sorriso pra ela, no dela tem o encanto dos anjos. Se há um brilho em cima da minha cabeça, na dela tem uma coroa de rainha, dona de todo o reino do meu coração. E se há milagre em meus sentimentos, nos dela há a própria vida. E é essa vida que me salva! Adeus, poeta. Mas vou continuar amando essa mulher nem que ela não queira! – disse o retirante enquanto tomava seu rumo novamente.
Um pouco irritado por não conseguir achar respostas, o pobre retirante caminhava e não conseguia tirar de sua cabeça os olhos da sua “meiga senhorita”, o sorriso às vezes sincero, às vezes debochado, mas sempre verdadeiro. E não lhe saía da cabeça sua leveza de eterna bailarina…
E enquanto vagava em meio aos seus pensamentos, topou com uma senhora simpática que lhe disse, assim, sem mais nem menos:
_ A vida só é possível Reinventada.
Era Cecília Meireles! E ele achou aquilo muito bonito e respondeu:
_ Certamente, minha senhora! “A vida só é possível reinventada”! E é isso que acontece toda vez que encontro minha “meiga senhorita”. Minha vida se reinventa cada vez que a contemplo ao meu lado. Toda vez que sinto seu cheiro e o calor do seu abraço amigo. _ E, suspirando, completou: “Ah! Aquele abraço!…”
Nesse instante, viu um senhor boa praça, todo vestido de branco se aproximando, com um copo de uísque na mão… Era o Poetinha!
_ Meu amigo, ouvi de longe o seu suspiro e vejo que está apaixonado por uma mulher!
_ Me permita uma pequena correção, seu Vinícius… Eu não ESTOU apaixonado. Eu SOU apaixonado por minha “meiga senhorita”! E como é bom amar essa mulher, meu poetinha! Como é bom ter essa mulher por perto, espantando a tristeza dos meus dias em breves momentos inebriantes…
_ Pois, então, que seja eterno enquanto dure este amor!
_ Mais uma pequena correção, meu caro poetinha! Esse é amor que dura para sempre! Pois não é só aquele amor de desejo, entre um homem e uma mulher. É um amor que transcende as fronteiras do desejo e do pecado e se torna sagrado de tão verdadeiro e puro que é! Agora, se me permite, preciso ir embora. Já se faz tarde e ainda procuro minha resposta: O que dizer pra minha “meiga senhorita”?…
Dizendo isto, o retirante acordou de súbito. Foi até a folha de papel que passara a noite toda em branco, tomou o lápis e escreveu convicto a única coisa que poderia escrever:
“Minha meiga senhorita, EU TE AMO!”

Com amor, para Naiane (minha meiga senhorita),
De Sílvio Carneiro Neto (o retirante nordestino).

(FIM)