13 de outubro de 2009

Irene de berço.



"Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseje também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez."


*Porque ontem foi meu aniversário e to sentindo que o 2.8 vai ser turbo. (Mas com carinha de 2.2 Flex)

*Porque eu não seria ninguém sem os meus amigos.

*Ainda bem que eu não bebo tanto quanto antes. A conta do bar teria me levado a falência.

*Meu coração pulsou mais forte. Mas não sei se isso é bom.

*Estou vivendo um dia de cada vez.

*Definitivamente, Maria Bethania, Gonzaguinha e Chico Buarque sempre (desde os meus 13 anos) vão fazer parte do meu coração, do meu ritmo, das minhas palavras... do meu amor.

*Ahhh, como é bom viver mais um pouco.

*Não. Eu não vou mais sonhar.

*Por fim, eu não gosto mais de ressaca, mas ainda gosto de comemorar meu aniversário.


6 de outubro de 2009

Culpa sua. Azar o meu.



Ei, você...

Olha, as coisas não estão boas ainda.
Ontem vi você online depois de ter ficado uns dias sumida. Não, eu não consigo ver você online e não tremer inteira, não consigo olhar e simplesmente não ver. Abri seu pvt dezenas de vezes pra ver sua foto. Digitei frases e apagava, dava esc, abria de novo. Pensei em desejar boa viagem. Apagava. Fechava a tela. Desconectava o MSN. Mas não consegui simplesmente te bloquear ou deletar pra acabar com esse sofrimento todo. Toda essa frescura.

Ta sendo barra pra mim ainda e as coisas podem se tornar PIORES se eu continuar do jeito que ta. Acabei fazendo até bobagem ontem por ter te visto.
Você tem um poder sobre mim que nem eu sabia que existia. Eu sou fraca por você. E isso tem que acabar. Eu não agüento essa oscilação de sentimentos. Não agüento essa montanha russa dentro de mim.

Me afastar de vez é a melhor solução pra mim. Sei que você concorda porque acho que corre alguma consideração por mim ai nessa sua cabeça.

Mas tem uma condição, não quero ser sua amiga. Não quero ser a pessoa que você olha com carinho e diz: “hoje eu te vejo como uma amiga”. Não quero o seu carinho. Não quero as suas lembranças. Não quero que você me veja com outros olhos.
Não queria que você tivesse deixado de me amar. Não quero a sua amizade. NÃO QUERO!
O que eu queria com você era outra coisa. Eu queria o seu coração de volta.
É, não dá, eu sei. E já que não dá, também não quero ser sua amiga. Me dá ânsia, me corrói, me dá fraqueza essa história de ser sua amiga. Não dá. Eu não engulo.

Talvez seja infantilidade da minha parte dizer essas coisas, mas eu cansei de ser racional. Cansei de brincar de adulta e controlar os sentimentos pra que todos achem que está tudo sob controle. Cansei de falar bonito quando o meu coração é a coisa que mais dói nessa história toda. Cansei de fingir não doer.
Então, na maior de todas as ausências, no meu mais alto e vergonhoso desespero, quero te tirar de perto de mim. Quero tirar você dos meus dias, da minha tristeza, das minhas burradas e até das músicas que eu ouço. Quero excluir o que você um dia representou na minha vida.

Vai ser difícil pra mim cortar mais esse laço?
Vai ser horrível, se você quer saber. Vai ser doloroso, definitivamente vai ser triste. Tão triste quanto as coisas que vem acontecendo comigo desde aquela viagem.
Chorar passou a ser um costume. Me ausentar e me manter longe se tornou um mecanismo de defesa. Me mantendo longe eu esqueço de pensar em você. Trabalhando, produzindo, ajudando uns amigos e dormindo mais que o normal... é assim que eu esqueço “da gente”.

Há quase dois anos eu lutei com tudo que eu tinha pra te reconquistar. Por quase dois anos eu chorei por você, eu corri atrás de você, eu investi exaustivamente em você, em nós, em dias melhores pra mim ao seu lado, em um futuro com você.
Droga, eu quis casar e ter filhos com você. Entende o que significa isso pra mim? Entende a droga que você me causou? Entende o vício absurdo que você se tornou na minha vida? Entende que eu preciso cortar qualquer contato, laço ou notícias de você?
Você não entende que eu mudei a minha vida por você.
Você não entende que eu fui atrás de ti em outro estado e não só uma vez.
Pelo menos, você entende que eu to chorando que nem uma condenada tentando te culpar de dez milhões de coisas só pra não ter que ficar com você no meu pensamento o resto da minha vida?
Entende que eu to me despedindo de você?
Entende. O pior de tudo é que isso você entende e apóia. Assina embaixo. Coloca um voto SIM.

Então, que eu siga o meu caminho e você o seu, como estávamos fazendo há algum tempo. Que as músicas não digam mais nada, e não surjam saudades incômodas ou lembranças dolorosas. Que não haja pensamentos em nenhum dos dois. Muito menos lamentações, principalmente naquela em que eu acordo todos os dias e vejo o dia lindo e fico revoltada, com raiva mesmo de mais um dia lindo que eu não posso ter com você. Essa droga de futuro que eu vou ter que enfrentar sozinha porque você é um frouxo. O maior culpado de todos.

Você é a droga do culpado por eu ter me apaixonado, por eu ter me descontrolado. Você é o culpado por eu querer morrer de tristeza. Você é o culpado pelo meu amor, pela minha raiva, pelos meus dias ruins e pelos meus sorrisos dos momentos bons que tivemos.
Você é o culpado por eu estar indo embora e te deixando em paz.
Você é o culpado por me obrigar a deixar de te amar.
Culpado e egoísta. Que mesquinho.

Eu não te perdôo por me matar de dentro de você. Eu não te perdôo por ter levado meu coração e colocado na droga do seu altar de corações destroçados. E sim, o meu é o mais remendado, o que tem mais caquinhos, o menos viçoso. O meu é aquele que você vai ter gosto em ver que foi o mais ferido.
Você também é o culpado por eu não acreditar mais em destino, em amor, em "somos felizes".
Eu não acredito mais em você e nem na mentira que foi a nossa história. Mentira deslavada. E logo você que odeia mentira e sempre fala dos meus olhos quando essa palavra surge.
Você é uma vergonha.

É verdade, você destruiu meu coração. Você me destruiu. Fez um buraco. Um prejuízo que nunca vai ter como pagar. Falência, meu caro. Mas você vai pagar. Ah, se vai.
Eu não quero dinheiro, não. Guarde ele com você.
Você vai pagar do jeito que eu mais peço a Deus. De bolsos cheios e coração vazio.


Naiane Feitoza

2 de outubro de 2009

Quem canta seus males espanta.




"Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular.
Sei lá, a tua ausência me causou o caos,
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal.

E então, tu tome tento com meu coração,
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós.
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir

Tu me devolva o que tirou daqui,
Que o meu peito se abre e desata os nós.


Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar

Tirar da cruz e o canonizar,
Digo faço melhor do que lhe parecer.

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor.
Sem mais, a vida vai passando no vazio

Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor..."



*



Sempre me apego em canções quando o meu coração não está bem.

Venho escutado ha algum tempo que Maria Gadú é uma moleca que tem uma voz maravilhosamente irresistível, fora as suas canções e interpretações.
Pensando nisso, lembro que prestei mais atenção nela e procurei por ela. Procurei e procurei.
Quando estive em São Paulo, uma ou duas semanas atrás, fiquei sábado a noite no hotel e assistindo "Altas Horas" dei de cara com ela, Maria Gadú, cantando e encantando na minha madrugada de insônia.

E ainda escutei ela cantando uma música de Edith Piaff (pra quem não sabe, antes mesmo de Janis Joplin, é a minha diva número zerinho), "Ne Me Quitte Pas".

Chorei. Me arrepiei inteira e quase tive um colapso por ver a melhor de todas as interpretações da minha amada Edith.

COMO ELA CONSEGUIU FAZER AQUILO?


Não sei, só sei que ela conquistou meu coração de uma forma TÃO ÚNICA, que procurei por todos os lugares o album dela. E achei. E me apaixonei. E estou cada dia mais e mais apaixonada.

Essa canção que postei no blog, em especial é a que não sai do meu celular, meu computador, meu pensamento e até meu coração aprendeu a cantar. "Altar Particular".
Confesso que além da paz que ela está me dando, as canções que sempre procuro ouvir e cantar (não sou cantora, não sou nem aquela louca que canta no chuveiro porque, sinceramente, minha voz é horrível) estão me dando mais que um motivo pra brilhar os olhinhos.
Estão me dando um motivo pra não pensar em tristeza.


Estou apaixonada. Apaixonada de verdade pelas canções que estão preenchendo o meu coração.
Escutem toooodas as músicas dela. TODAS. Mas em especial:
"Tudo diferente", "Altar Particular" e "Quando fui chuva". Nem se fala em "Ne Me Quitte Pas".
Escutem!
Espero só não acordar um dia, revoltada da vida, e postar a primeira coisa saliente e grosseira que vier a minha mente.

Não, não.

Estou procuranco Paz. Somente a Paz.

*A imagem retrata a canção. Néan?

;)

28 de setembro de 2009

Das palavras dela...

"Ela ainda não sabe. Como olhar para trás e não chorar? Ela ainda não consegue. Sempre disse aos outros que quando os dias caminham, o que passou ficou lá atrás. Adianta sofrer pelo que não tem volta? Ela acredita, mas não entende. Como pode continuar amando alguém e, mesmo assim, chorar de tristeza? Mágoa não passa tão rápido quanto o vento. Ela queria que sim. O passado não deixa de existir, só de atormentar. Marcas profundas não passam, cicatrizam. E o único jeito de seguir tranquila é aprender a olhá-las com resignação."


Textinho retirado do Blog http://carambolasazuis.wordpress.com/



Cássia, obrigada por ter um blog tão lindo e, sempre que o visito, você responder carinhosamente os meus comentários. E dessa vez, um obrigado especialíssimo pelas suas palavras.

Sim, estou tendo paciência com o meu próprio coração.


* imagem de "dando estrelas". É porque eu não achei alguém dando um coração, e eu já dei o meu ha muuuuito tempo e esqueci de tirar uma foto.

;)

27 de setembro de 2009

More Than Words



Acordei pensando tanto em você hoje. Pra dizer bem a verdade, você dormiu comigo. Dormiu na minha cabeça.
Te ouvi por acaso ontem, no meio de um bate-papo, mas decidi te evitar. E pra dizer mais verdades ainda, estava te evitando tinha um tempo. Apesar de sempre escrever o seu nome, lembrar de você e até mesmo falar de ti pra outras pessoas, poderia ser justificado como algo completamente impensado, quase que imaturo da minha parte por falar de você. Mas sempre tive a certeza que não tinha coragem de te olhar e ver o que você tinha pra me dizer, e quando me dava conta, lá estava de novo plantado na minha cabeça aquela imagem, quase que sendo empurrada pro lado mais escuro da minha mente. Lá onde não tem lampião, velas ou fósforos. Um breu.
Quando percebi você entrando na minha cabeça tentei parar imediatamente e me desligar. Tem tempos que não te dou ouvidos e queria permanecer assim. Mas hoje, acordando mais cedo, com aquela dorzinha lá dentro dizendo: "escute o que tem a lhe dizer", foi então que resolvi colocar você pra perto de mim, quase como se coloca um bebê no colo e fui lhe dar ouvidos.
Você chegou, puxou uma cadeira, sentou como se nunca tivesse saído daqui e contou tudo. Falou o que sempre disse e repetidas vezes. Quase me deixando louca por saber que eram as mesmas palavras que, um dia, me fizeram tremer de tanto amor e saudade.
Vi que você falava de um jeito diferente. Um jeito de entrar em mim totalmente diferente das outras vezes. Agora você entrava como se quisesse me explicar que só ficou e ficará na saudade. Que as coisas passaram e que aquelas palavras agora eram pra ter outro efeito. O efeito de quem está se despedindo.
Me assustei pensando que a raiva tinha consumido aquilo que um dia foi amor. Pensei milhões de coisas e discuti maldosamente, quase que gritando dizendo que você não tinha o direito de se retirar assim daqui de dentro do meu coração. Não você. Não, não podia. Você era o que me restava do meu passado.
Mas como boa pessoa que és, me explicou que se eu vinha evitando sua presença durante um tempo e agora voltei a procurar por seu ombro, é porque já está na hora de eu me despedir de verdade. Alias, com as suas próprias palavras: "precisamos nos despedir de uma vez por todas". Você que tantas vezes me embalou dizendo que não era pra nunca te deixar ir embora.
Me pediu pra voltar só mais uma vez e te colocar no orkut, msn, blog e onde mais coubesse.
Me pediu que não te esquecesse, já que durante um bom tempo você fez parte dos meus sonhos, minha enorme alegria, meu choro, meus planos e claro, da minha tristeza.
Você me convenceu quase que num soluço. Me convenceu que eu teria de guardar suas palavras e sua lembrança tão doce em minha vida no lugar onde sempre a guardei, mas agora não mais na pasta de "não ouvir", mas na pasta de mp3 "preferidas".
Você foi aquela canção que mordiscou todos os meus melhores pensamentos e quase me matou de saudade.
Você foi aquela canção não dançada que só embalou nossos corações.
Mas você foi aquela que foi ouvida, tocada e aceita como uma marcha de casamento. Como se fosse “a nossa canção”.
Quem sabe se tivéssemos levado você ao pé da letra, tudo seria diferente.
Me despeço de você com uma imensa melancolia.
E sim, vou deixá-la tocando aqui, hoje, o dia todo, em todos os lugares.
More Than Words.
Agora você embala a saudade.


“More than words
Is all I ever needed you to show
Then you wouldn’t have to say
That you love me 'cause I'd already know…”

;)

24 de setembro de 2009

Só.




"O amor está se transformando em medo. E é muito estranho sentir só medo de você."







*

Musiquinha pra ouvir antes de dormir: Tracy Chapman - Fast Car


*Como eu amo ouvir essa música. Uma paz gostosa. #)

Eu tenho medo

Essa tarde, depois daquele sono que todo o ser humano merece (depois do almoço), acordei atordoadíssima com um sonho horrível que eu nem lembro qual foi. Bom, não foi exatamente um sonho que me fez ter medo, mas o acordar. Levantei de supetão, com o coração a mil pensando estar deitada em um outro quarto. Precisamente em um hotel que estive semana passada. Corri os olhos pelo meu quarto e não consegui vê-lo. Eu não estava aqui, sabe? Eu estava no hotel. E mais desesperadamente ainda procurei pelas pessoas que estavam comigo aquela semana. Meu coração ficou mais desesperado ainda e comecei a tremer. Foi quando vi a solidão que existia e dei de cara com o meu ursinho de pelúcia, e constatei: "foi só um desespero pós sonho".
Nossa, como eu não suporto isso.
Fiquei pensando desde aquela hora (as 16:40) que raios de coisas eu tenho medo. Mas medo mesmo. MEDO MEDO, não medo medo. É MEDO.
Só de pensar em voltar aquele lugar e sentir aquelas coisas de novo, nossa!, me dá logo um aperto. Com isso, fiquei analisando que TODOS os medos que eu tenho, realmente têm algum fundamento. E já parei pra pensar em todos e comecei a listá-los e colocar suas razões do lado. Até eu fiquei boba com os absurdos que me assombram.
O primeiro da lista é motivo de riso pra todo mundo, e caso achem graça também, eis o meu palavrão favorito pra vocês: "Tomarás no teu Curus".
Tenho medo de palhaço.
Isso mesmo, essa coisa mesmo que eu tenho medo. PA-LHA-ÇO. Qual o problema?
Confesso que no fundo (minhas amigas que me desculpem) vibrei de alegria quando não fomos ao Hopi Hari na semana passada. Tem um treco lá que é sobre palhaços e há muitos espalhados por todo o parque. Não, eu não ia agüentar a pressão e ia acabar tendo um ataque do coração por lá.
Esse medo vem da minha infância, precisamente quando eu tinha 7 (ou 8) anos. Aprendi a ler supercedo (orgulho da mamãe) e gastava meu tempo com quadrinhos e devorando livros na biblioteca particular da minha mãe ou da minha avó. Sem contar que passava horas cheirando livros (isso eu faço até hoje). Eis que em um dos meus dias de pura curiosidade avistei um livro que a minha mãe não largava de jeito nenhum. Ela não me deixava ler e sempre colocava-o no lugar mais alto pra eu não pegar. Até porque eu nunca aprendi a subir em nada, e ela sabe que eu JAMAIS subiria em lugar algum pra possuir o livro. Lembro que fiquei tão curiosa com aquilo que decidi investir profundamente na busca daquele tesouro.
Meu pai tinha contratado um rapaz que era "faz tudo" pra ele. Desde cuidar de nós (três filhas) até ajudá-lo na lanchonete que ele tinha na época era obrigação do menino. Então, como sei que o Janilson (esse era o nome dele) nunca ia me dizer não, disse a ele que se ele pegasse o livro pra mim eu o ajudaria a aprender a ler. CALMA! Isso foi um joguete, oras. Eu tinha que usar a única coisa que podia oferecer pro rapaz. Ele tinha 13 anos, mal sabia pegar em um lápis, trabalhava com meu pai e era da roça (literalmente). Era uma oportunidade de ouro que eu estava oferecendo a ele.
Enfim, o Janilson cedeu ao meu pedido sem nem pestanejar, mas foi logo pedindo um caderno de caligrafia. Nojento! Tive que pedir um novo pra minha mãe e justificar que tinha "dado" o meu de presente ao Janilson. Safadeza, né?
Então, ele foi na cozinha de casa, pegou o livro de cima do armário de louças (sim, sim. Ela colocou mais alto do que qualquer coisa) e o trouxe pra mim. Meus olhos se encheram de brilho quando li a capa: "A coisa". Tinha um palhaço na capa com um jeitão de marginal e um sorrisão assustador. A capa era bem dura, sabe? Daqueles livros antigos mesmo. O toquei, cheirei e fui direto para o guarda roupas com a lanterna do meu pai e sentei no montinho de toalhas que eram guardadas lá.
Comecei folheando o livro aqui e ali. De repente, uma página me prendeu e eis que leio a coisa mais HORRÍVEL que uma criança pode ler: o palhaço era assassino e matava crianças aos pedaços. Com desenho e tudo, hein. Fiquei tão apavorada quando vi aquilo, quando li, quando comecei a suar que fechei o livro e joguei o bicho do outro lado e fui embora tentar esquecer. E devo ter esquecido.
Lembro, PRECISAMENTE, quando meu pai veio uns 3 dias depois convidando a gente pra ir ao circo. Eu, boboca como tal, adorei a idéia e fomos todos. Minhas irmãs, mamãe, papai, Janilson e eu. Risinhos aqui, gracinhas ali, tudo na mais perfeita harmonia. Até que chegou a hora do "tcham, tcham, tcham". Tinha um cara no globo da morte (aquela porra que parece uma bola de ferro que os caras andam de moto dentro) andando de moto pra lá e pra cá. Um barulho ensurdecedor, quase estourando a minha cabeça e eu ali, paradinha já começando a ficar com medo. Então, o pior... Eu digo, A PIOR COISA DO MUNDO acontece: sai de lá de dentro desse globo da morte uma moto com o cara sentadinho, fazendo "vrum, vrum, vrum" e ele tira o capacete e dá a gargalhada mais horripilante que eu já escutei na vida. O filha da mãe estava vestido, pintado, caracterizado, cagado, NOJENTADO de palhaço.
O que eu fiz?
Corri. Mas corri mais que o Forrest Gump e ainda por cima gritando e chorando que nem uma condenada (meu coração começou a bater acelerado só de lembrar). Meus pais não entenderam, nem a platéia, muito menos o palhaço assassino. Eu gritava que ele ia me matar. ¬¬
E daí? E se ele fosse me matar?
Só sei que me acharam fora do circo correndo (acreditem, CORRENDO) que nem uma louca aos prantos e depois disso só lembro da minha mãe brigando comigo e com o Janilson, até porque eu contei tudo e ela soube porque achou o livro embaixo da cama dela jogado às baratas.
Passei quase um mês dormindo na cama com eles (uma verdadeira empata foda).
E até hoje tenho HORROR a palhaços. Digo, não gosto muito de ver fotos, ornamentação de aniversários, filmes e coisas do tipo, mas o meu medo mesmo é ver alguém, principalmente HOMEM vestido de palhaço. Quer me matar? Quer que eu chore? Me leve ao circo e me mostre um palhaço. Fico nervosa, começo a suar e querer chorar. Eu fujo, viu? Fujo mesmo. E sim, tenho horror a circo também. Deve ser por isso, sei lá.
Outros medos que tenho e que nem vou entrar em detalhe são os mais diversos: andar de bicicleta, por exemplo. Nadar em rio de água escura, porque eu penso que um bicho vem me pegar. Atravessar ruas (até hoje eu tenho uma coisa comigo de que vou morrer atropelada), ir a um lugar muito alto com alguma coisa na mão, ou num navio, ou em alguma coisa em movimento e deixar cair algo da minha mão que é muito valioso, esse é sem dúvida a coisa mais frequente que acontece nos meus pensamentos.
Tenho medo de tantas coisinhas.
Nem vou lembrar agora das outras porque acho que superei algum medo, sei lá.
Ah, tenho medo da cara de algumas bonecas e não assisto filme que os atores se vestem com coisas de bicho ou pintam a cara, por exemplo: O gato, Desventuras em série, A fortaleza e bla, bla, bla... Coisas assim. É macabro e eu JAMAIS consegui assistir 3 minutos dessas coisas bizarras.
Como conseguem deixar crianças assistirem isso? Até O Labirinto do Fauno eu não indicaria a ninguém, e só consegui assisti-lo por muita insistência de uma amiga e ela estava segurando a minha mão o tempo todo.
Do que será que eu tenho mais medo?
Dor? Não, não. Acho que não. Se bem que eu odeio fazer unha quando estou sensível e deixei de ser loira porque as luzes doíam a minha cabeça. Sem contar que faço escova vez sim, vez não, porque dói as vezes. Mas se eu sou louca pra ter filhos, então deve ser um medo bobo. Uma coisa qualquer.
Acho que preciso começar a superar certas coisas, mas medo de palhaço, NÃO. É demais para um só coração.
Naiane Feitoza