25 de maio de 2010

Invejinha, invejão, invejasso, invejodromo.



Fazia 12 mil anos que eu não vinha aqui postar alguma coisa. O mundo do Twitter me prendeu tanto que não consigo mais sair de casa sem dizer que estou saindo. Não consigo mais dizer que vou lavar os cabelos sem dizer que vou lavá-los. Um bostaral enorme. Mas, não vim aqui falar sobre o Twitter ou o que faço ou deixo de fazer por lá. Vim aqui falar sobre uma lembrança dolorida que tive hoje com um blog de uma jornalista da minha cidade (eu chamo jornalista mesmo: E DAÍ?) que falou sobre “o amigo-da-onça” e contei sobre esse tal amigo que tive nos comentários do blog dela.
Vieram lembranças fortes do acontecido, sabe?
Vou resumir a porra que aconteceu: eu escrevo crônicas, e a pessoa na época trabalhava num jornal TAL e me pediu as minhas crônicas pra divulgar, expor, puxar meu saco, fazer algo com os meus textos que só ficavam no jornal da faculdade e no meu blog. Enfim, foi aquela rasgação de seda na época por conta desses meus textos (e ainda ocorre isso hoje. Que BOM!) que TINHAM que ser lidos por toda a sociedade que lê jornal.
Eu? Eu fiquei foi feliz, radiante e com a pele mais bonita do que quando eu namorava a noite toda (HAHAHAHA). Mas, eu tinha que ver se ia dar certo, porque nem todo mundo gosta de textos tão debochados e diretos como os que faço. Enfim, a pessoa gostava, meus professores amavam, meus amigos bajulavam. Eu ia dar uma de cu doce? NÃO. Mandei os textos.
Espera um dia, dois dias, CINCO dias e nada da pessoa me dar a resposta se tinha gostado do que mandei ou não. Então, fiz como sempre faço: “deixa pra lá, né?”.
Uns dias depois, em casa e fazendo algo que não lembro, recebo a ligação de um amigo que me diz que tinha uma quente pra me falar, mas só podia se fosse pessoalmente. Como boa fofoqueira que sou, não ia perder a oportunidade de ir saborear a mais nova fofoca da semana. E quando chego, quem era o alvo da fofoca? EU! Qual o motivo? MINHA BURRICE E INGENUIDADE.
Abri o jornal e vi meus textos. Oooh, que legal! – pensei. Mas não era legal, o texto era nu e cru como eu havia digitado e pensado. Até as vírgulas e o humor, as risadas, tudo era meu, menos a assinatura e o nome do autor. Veja bem, eu fico vermelha quando fico com raiva, minhas bochechas tufam e eu fico igual ao Kiko do Chaves, mas nesse dia eu fiquei branca. Pior que um fantasma dos filmes. Eu tinha engolido um porco espinho com açaí e manga, minha gente.
A vagabunda (é uma mulher! Admito.) foi tão baixa que não colocou o meu nome?
O pior não era nem isso. O pior foi ver que os meus lindos textos estavam no blog oficial (da época) da pessoa, como dela e um mundarel de elogios.
Eita, eu engoli prego.
Não resumi, né? Mas e da-i? Tinha que contar algumas coisas que aconteceram dentro de mim depois desse dia.
Guardei segredo sobre o acontecido e alguns amigos começaram a me ligar: “naiane, você cedeu teu texto pra fulana?”. E eu: “não, é que ela leu e me pediu, então eu deixei assinar assim mesmo..”. Querendo tirar o meu e o dela da reta, né?
MAS, como conheço meu lado sutil, doce, fofo e delicado, levei meus amigos pra um bar que sempre vamos e falei: “FULANA É UMA LADRA”, e contei toda a história.
Desde então, alguns não a suportam, não falam direito, engolem porque eu pedi. Sim, sim, eu pedi pra que desculpassem, já que foi COMIGO o acontecido, não com eles.
Mas todos, sem exceção, têm horror a ela.
Coitada, o que eu posso fazer? Ela que não tem criatividade, personalidade, caráter, bom senso. Ela pensa que até hoje não sei de nada (só pode!). Pensa que se passaram quase 4 anos e não descobri nem quando ela excluiu o antigo blog.
O mais engraçado é que ela continua a me imitar. Um dia desses me deu vontade de perguntar: “Sim, mana: foi só tu ver como eu entro no Twitter com as minhas frases que tu fazes igual?”. Juro que me deu vontade de perguntar.
Fora os livros que ela lê que todos eu já li. Os lugares por onde viajei. As conversas que tive e amizades que estou tendo. Até puxar saco de pessoas que foram com a minha cara de graça, a criatura está puxando pra ter amizade. Até as minhas histórias de amor, meu Deus do céu. Até as minhas histórias.
Ela imita as minhas palavras, meus gestos, minhas ações.
Cruz credo!
Eu nem sei mais o que falar dessa criatura. Tomara que ela leia isso aqui e descubra que eu sei de tudo e se toque. Ou, sei lá, nem vai se tocar. Pessoas que têm inveja, geralmente, não sabem distinguir a realidade do mundo da gente pro mundo delas.
A propósito, só estou falando disso porque não atualizo isso aqui há tempos, e achei que estava na hora. Vou ver se volto ao costume de ter criatividade e me dar ao luxo de escrever algo.
E não, eu não estou apaixonada, pra quem quer saber, ta?
Rá.

Naiane Feitoza

13 de abril de 2010

O Macaco quer ser Burro.


Querido Rogério Borges,
Tenho uma teoria que as pessoas da minha cidade sempre dizem que é furada: os ignorantes imperam. Pelo visto, você será a minha maior prova disso.
Estava rondando pelos blogs da vida, os sites que mais leio, as notícias que tento acompanhar, e claro, as pérolas que encontro e transformo em piada. Eis, que dou de cara com você e solto a maior gargalhada da minha vida.
VOCÊ EXISTE.
Sim, você que é desinformado. Que é um jornalista (creio) e tem boa escrita. É até fotogênico e escreve pra um jornal lá das terras que eu gosto. Você que escreveu e deve sustentar com orgulho a maior canalhice que já li na vida: a de ser um ignorante nato.
Admiro sua coragem em escrever um artigo sobre o Amapá não existir. Admiro MESMO a sua coragem em dizer que nunca conheceu alguém daqui (sim, sim. Sou do Amapá) e que nunca viu nada sobre essa terra Tucuju (depois te explico o que é. Já que vou começar a te dar aulas).
Sabe, existe uma coisa chamada internet. Essa ferramenta que está exposta na mídia (se você estudou jornalismo, sabe o que é mídia) é uma coisa mágica. Não sei bem se você conhece, mas não vou entrar nos detalhes em que você tem que ter um computador, uma conexão, saber usar tudo isso aqui, e por ai vai. Então, na internet tem um site de busca MARAVILHOSO chamado “Google”. Sério! Ele é uma ferramenta valiosíssima pra quem procura informações, mesmo que nem tão certas e concretas, sobre o mundo. Ele é como se fosse o Aurélio das informações imediatas. Você iria adorar. Nele você pode procurar a palavra “Amapá” ou até mesmo “Macapá” e você vai achar tanta coisa. Mas tanta coisa mesmo.
Vai ver que aqui há mais de 300 mil habitantes e que realmente estamos morando no extremo Norte. Vai ver também que aqui tem a Pororoca que todo mundo corre pra participar dos campeonatos. Tem o Rio Amazonas que banha a cidade e que, com certeza, se você nunca ouviu falar em Macapá, é claro que nem deve saber o que é Rio Amazonas. Vai lá no Google, que ele te ensina isso também.
Então, continuando: aqui temos nossas raízes, nosso Marabaixo que dançamos quando há os festivais. Temos nossas comidas deliciosas que vem de outras culturas e as que inventamos nas bandas de cá. Temos o nosso camarão no bafo, nosso tacacá, nosso tucupi, nossas cachoeiras, sorrisos, índios e, claro, os ignorantes como você.
Conhece o Sarney? É! Aquele Senador daqui do Amapá. Que foi presidente. Que todo mundo tira onda (e com razão!). Conhece? Sério? Então, meu querido, como você me joga no seu jornal que não “conhece” ninguém que veio aqui. Se quiser me conhecer também, não tem problema. Vou ai na sua cidade conhecer você. Adoro Goiânia. Ou, MELHOR, você vem até aqui em Macapá. Moro num bairro não muito longe do aeroporto (aqui tem um também) e seria ótimo te pegar lá e ir logo mostrando a cidade pequena, mas não muito pacata. Sei que as tarifas aéreas são caríssimas pra vir pra cá, mas eu tenho uma grana pra lhe dar (veja bem: LHE DAR) e faço questão que você venha conhecer minha cidade.
Pois bem, voltando ao assunto. O Google tem várias coisas interessantes. Mas já que você citou que está TÃO interessado em saber coisas daqui, e que mostrou ser tão desinformado ao ponto de escrever um texto superlegal em como ser “um asno” em público, e, sei lá, deve estar na moda mostrar que não se sabe de nada em rede pública (eu acho. Em Goiânia deve ser assim. NÃO SEI!). Copiou do Lula, foi? Interessante.
Siiiim, continuando, aqui não funciona assim. Nós, jornalistas formados pelas bandas de cá, que temos os nossos jornais, nossas redações, nossa Assembléia Legislativa, Prefeitura, Parque, Praças, Igrejas, Hospitais, Governador, Prefeitos, Vereadores, Deputados e toda a corja que você já deve conhecer que em qualquer capital brasileira tenha - Não me diga que você TAMBÉM é tão ignorante nesse assunto, pelo amor de Deus. Já me basta a burrice, OPA!, a falta de informação da sua parte para conosco, pessoinhas de tão belas formas e sotaque. Aqui não funciona essa coisa toda de sermos tapados com relação aos outros estados. Conhecemos de tudo um pouquinho. Desde o Nordeste até o Sul. Sabemos, como você, que o Chuí fica no Rio Grande do sul, mas ao contrário da vergonha que você passa ao usar o termo “do Oiapoque ao Chuí”, nós sabemos também que o Oiapoque é no extremo Norte, é pertinho da Guiana Francesa, é tudo muito caro por lá e é longe pra cacete. Comprovação científica pra isso? Vá lá e mostre seu texto a um morador do Município do Oiapoque, você voltará com a boca só formigas. Isso sim, é uma comprovação científica.
Sabemos sobre todas as capitais do País, sabemos quem são os principais Governadores e sabemos das tragédias de todos os lugares. Aqui tem televisão, sabia? Juro pra você. Tem até a afiliada da Rede Globo. Se um dia você precisar de emprego, e quiser alguma coisa por aqui, é só entrar em contato comigo. Conheço meia dúzia de pessoas que podem te ajudar. Ah, esqueci de te falar: nós não somos um povo rancoroso, tratamos bem quem quer se tornar nosso inimigo.
Nós também temos umas músicas daqui da Terra que você iria adorar. Músicas que falam do Amapá, da nossa gente, nosso sol e, claro, nosso rio. Sim, sim, nosso rio. Falamos dele sempre. Sabe aquela ferramenta da internet que eu te expliquei no início? Aquela mágica? Pois é, por lá eu posso te mandar um email mais detalhado com muitos e muitos endereços de sites, blogs e dos setores públicos daqui do AMAPÁ que te mostrarão fotos, músicas, poesias, pontos turísticos e até os escândalos políticos que você deve sentir falta. Convenhamos, esse foi o comentário mais infeliz que você fez. Que vergonha, hein?!
Mas agora, falando mais sério ainda. Há uma parte em você que está me deixando curiosa. Você existe? Essa sua foto e essas palavras saíram mesmo dos seus dedos?
Não pode ser! Fico imaginando que ser tão ignorante, cavalo, estúpido e grotesco escreveria tamanha abobrinha e publicaria como artigo. Não estou querendo te ofender, mas estou tentando mostrar que uma pessoa com esses adjetivos, SIM, escreveria um texto tão vazio como aquele. Será que foi você?
Na faculdade, pelo menos quando cursei jornalismo (se você não estudou, ai são outros quinhentos. Aqui tem esse curso. Se quiser, já sabe: fale comigo!), a primeira coisa que explicaram sobre release, matéria, artigo e crônicas, foram as suas diferenças, e pelo o que eu lembre, o ARTIGO só pode ser escrito quando você entende realmente do assunto. Por exemplo, se eu vou falar da doença H1N1, por exemplo, eu não vou sair colando o que o Ministério da Saúde explicou pra comunidade. Procurarei um médico ou alguém que possa esclarecer o assunto e pedirei um artigo. E isso serve pra política, vida, dia-a-dia e seja mais o que for. Ai, voltamos ao ponto de partida do email (email, lembra? Da ferramenta da internet. Mais uma mágica): se você não conhece NADA do Amapá, não sabe onde fica (Meu Deus!), não conhece ninguém que veio aqui ou é daqui, se falou meio quilo de besteiras que, COM CERTEZA, te renderão um pouco de dor de cabeça, que merda de artigo que você faz? O da publicação que o seu cérebro não serve pra nada?
Ta, ta, ai você me vem com a resposta que é uma crônica. Vejamos, uma crônica? É, ai vou ter que te dizer que até o Jabor ganha meu respeito nessa hora. Até eu escrevo uma crônica melhor que você.
Vai lá no Google (lembra? Isso, muito bem!) e coloca meu nome. Vou aparecer em algumas coisas de pesquisas da internet (isso! Aprendeu, hein?!) e vai aparecer um blog lá (depois te explico o que é) e ele é meu. Lá tem crônicas. Vê se aprende e vai nos links ao lado (endereços de outros blogs) e leia mais e mais crônicas de outros blogs, de outras pessoas de todo o País. Aquilo são crônicas. O que você escreveu foi, foi.. deixa eu pensar.. foi um ato científico de que macaco sabe falar além de se balançar numa árvore. ISSO! E você sabe até escrever, veja que evolução.
Nós não vamos ficar aborrecidos se uma pessoa como você, que tem o grau de instrução do tempo do Mobral, ficar falando coisas engraçadas sobre o Amapá. Não vamos mesmo. Só acho que todos estão muito assustados por existir alguém assim e que está gritando aos sete ventos esse absurdo. Temos vergonha pelos outros. E eu, principalmente. Sou uma mocinha com coração, se você quer saber.
Você é uma lenda para nós. A lenda do ignorante. Nem em Nárnia existiu uma pessoa que mais inventou histórias.
Deixa eu te explicar mais uma coisa: essa resposta que estou te enviando é pessoal. É algo que falo em nome dos amigos e amigos que leram o seu artigo meio imaturo e completamente engraçado. Nos sentimos honrados por saber que você lembra de nós, do nosso estado e nunca colocou os pés aqui. Sabemos, evidentemente, que você usou esse texto pra ganhar uma passagem pra vir pra cá, conhecer o Estado, comer bem, ser bem tratado e bla, bla, bla. Sabemos. Mas você deveria ser mais discreto. Fazia uma campanha e pronto.
Sentimos, claro, como todos os outros devem estar sentindo, que você é digno de pena. Sabemos que você tentou mostrar que não sabe olhar um mapa e nunca deve ter visto que o Estado está lá, o primeiro, o começo (é, pra você que não sabe, o Brasil começa aqui), onde ninguém fala mal do Estado de ninguém. Onde temos nossos problemas financeiros, que temos nossas estradas que não estão asfaltadas completamente como todo o resto do Brasil. Nós estamos aqui falando o Português e o Francês (claro, isso você não saberia mesmo) porque nas escolas públicas é obrigatório. Estamos aqui, sentados em frente ao Rio Amazonas tomando nossas cervejinhas, porque de todas as marcas e cores chegam aqui. Estamos comendo nosso Sushi se der vontade ou, simplesmente, nosso caruru e tacacá. Estamos cantando músicas do Zé Miguel, Amadeu Cavalcante, Osmar Junior, Lucinha Bastos ou o grande Nilson Chaves. Estamos dançando ao som de Maria Rita e sorrindo pra não chorar com a Maria Gadú. Estamos nos afastando de Vitor e Léo, mas amando cada dia mais Cesar Menotti e Fabiano. É, somos um povo que acolhe até o Rebolation para todos os nossos amigos que gostam de tudo.
Tenho certeza que você adoraria conhecer o Marco Zero. É aquele que acontece o Equinócio e onde a cidade é cortada ao meio. Onde passa a linha IMAGINÁRIA do Equador. Tenho certeza que toda essa balela que você jogou foi puro marketing pra ganhar essa passagem.
Já disse: EU TE AJUDO!
Se você não conhece nada disso, faça um curso sobre o Amapá. Ou melhor, faça um curso sobre “Como ser um brasileiro de verdade”. Nós, aqui do Norte, procuramos saber um pouco de tudo de cada Região do País. Nós temos vergonha de passar vergonha. Não vou colocar você como a maçã podre que pode estragar todo o seu cesto, mas você, sem dúvida nenhuma é aquele ratinho de laboratório que foi feito pra ficar trancado na sua jaula, que come e dorme no mesmo horário e está programado para fazer o que te mandam. Mas por favor, só porque te deram a liberdade de conhecer um mundinho pequeno fora da sua redoma, não quer dizer que você pode virar o expert em não conhecer o Amapá. Tira esse título e coloque “Eu sou o idiota que falo merda pra caralho”. Ai, sim, vai ser a sua cara.
Ou você acha que aqui não tem palavrão? Teeeeeem. E eu sou a campeã em chamar, mas não vou mostrar essa parte pra você. Vai que tu te encantas e vens morar aqui. Deus me livre ter um colega de trabalho que nem existe.
Você existe?

Abraços,
Naiane Feitoza

4 de fevereiro de 2010

Bahia, ai vou eu!



No ano de 2005 descobri o que é AMAR o carnaval.
Descobri que eu não nasci pra ficar encostada em uma rua fantasiada de alguém que não era. Não precisava ser a colombina de um pierrô qualquer com a cara fantasmagórica que me arrepia até hoje (de medo).
Muitos acham perda de tempo e de dinheiro. Muitos acham que o carnaval é uma pausa para os vagabundos, um motivo pra beber, dançar e comer todo mundo. Comigo o negócio é diferente. Penso diferente e vou explicar por que.
Não passo o carnaval na minha cidade (Macapá) há uns 5 belos anos. Descobri Salvador nas minhas veias antes mesmo de pisar naquela terra abençoada.
Só o fato de juntar cada salário e cada energia pra se gastar lá, queria dizer alguma coisa. Não era possível tanta vontade junta num corpo só. Sou magrela, lembram?
Enfim, matei a fome de lá e fui ver no que dava. VICIEI.
Não discrimino o carnaval daqui e acho superlegal as pessoas o valorizarem, acho louvável até as escolas de samba daqui, do Rio e de São Paulo. Se tiver uma no Oiapoque, eu também vou achar legal. MAS, GENTE, essa não é a minha praia.
O meu mar mesmo é aquele calor dos infernos. É aquela mistura da negada com a “brancaiada”. É o cheiro da cerveja na rua e a gargalhada no meio dos rostos que você nunca viu na vida. É sentir uma vibração tão, tão, mas tãããooo boa no meio de gente que você abraça, sorri, beija (se for o caso), dança e ainda tira esporro. É, o povo desconhecido de todos os carnavais.
Alguns, mais espertos, criam um vínculo com os outros, mas, felizmente, eu crio vínculo com as ruas, as ladeiras, as casas antigas, os trios e em especial, com a chuva que todos os anos cai.
Minha força está em saber que todos os anos, enquanto eu tiver um trocado e pernas, estarei no meio daquela chama acesa.
Que falem da falta do que fazer. Que falem do dinheiro jogado fora. Que falem da distância, da ira, do roubo, dos negros, das ruas que ficam fedendo a xixi. Eu não to nem ai. Nada paga, cobre, substitui ou é melhor que a agonia de estar num lugar maravilhoso e abençoado, SIIIIIIIIMM, por Deus e a Natureza.
Tenho orgulho de dizer que vou ao lugar mais animado e revigorante da face da terra. Passa ano, chega ano, correm os meses e lá estou eu pensando em Salvador. A Bahia amada. Ao chão do Pelô que tenho enorme paixão. À devoção por Iemanjá que já faz parte do meu nome. Ao prazer, ao êxtase, ao encanto, ao feitiço, bruxaria... seja o que for, eu vou.. eu sou.
To indo pra lá amanhã, infelizmente, chegando depois do dia de Iemanjá. Mas não tem problema, eu tomo meu banho de mar pra limpar a pele e reaver a energias gastas num ano tão turbulento como o de 2009.
Querem me achar?
Estarei vagando pelas ruas de Salvador com um punhado de amigos.
Estarei na Barra, em Ondina, em Itaparica, Ilha dos Frades.
Estarei na quinta no Yes, na sexta eu ainda não sei. No sábado, COM CERTEZA, estarei no Pelô dançando e olhando o povo com graça. No domingo estarei no Papa, segunda no Camaleão, na terça ver meu Saulo tocando no Eva.
Na terça, antes do carnaval, me encontre lá no Olodum batucando tudo.
No sábado pós carnaval eu vou estar em alguma praia relembrando as belas coisas que se passaram e já pestanejando que vou ter que deixar a terra.
Na quinta eu volto pra casa. Na quinta. Na quinta do dia 25.
20 dias em Salvador lavando a alma.
E quem estiver incomodado, POR FAVOR, vá cagar de cu pra cima.
Até a volta, meu povo.

Odoyá, minha Mãe.

;****

2 de fevereiro de 2010

Odoyá, Rainha Iemanjá.


Seu amor infla o coração espiritual e faz a jóia que lá reside brilhar como um verdadeiro Sol. Seu canto nos eleva de forma indescritível. Sua beleza é sem igual, mas o que mais encanta é seu brilho - estrelado.
Da cor da Luz quando toca as águas do mar, ou seria da cor das estrelas que irradiam - se lá do espaço infinito para a Terra? Não sei, apenas sei que é indescritível.
A Senhora dos Encantos esteve aqui há pouco. Aliás, ela sempre está, mas a pouco abri meu coração e consegui percebê-la. Minha amada mãezinha Iemanjá…
Ela é a própria Mãe Divina, uma mãe zelosa que tem na humanidade sua grande filha. Não julga, não castiga, apenas ama e ampara…
Silenciosamente faz - nos caminhar, e com sua luz estrelada clareia as trevas de nosso coração. Não importa quão grande seja sua dor, seu remorso, sua angústia, no colo da Mãe, tudo isso é muito pequeno…
Ela é Vida. É a vida que está em todos, homens e mulheres. É a vida da natureza, é a vida dos elementos é a vida dos animais. Ofertamos a Ela flores, velas e frutos, mas sua verdadeira oferenda é uma mente serena, um coração amoroso, trabalhador e digno.
Suas águas curam milhões de espíritos dia e noite, basta abrir - se para isso. Ela está no Mar, mas você deve antes encontrá-la em seu coração, essa é a chave para sua vibração. Quando isso acontecer, ela não estará apenas no Mar, mas sim, em todos os lugares.
Visualize uma estrela de cinco pontas bem no centro do peito. Ela tem um brilho azul - claro, um brilho de estrela. Pulse luz por você, pulse para a humanidade. Deixe as águas de Iemanjá curá-lo. Lave sua alma…
Seja VIDA. Seja Amor. VIVA, seja Luz!
Hoje e sempre…
Odoyá, minha Mãe!
(Autor desconhecido)
*
Eu, Naiane Feitoza, sou adoradora da Rainha do Mar, Rainha Iemanjá.
Eis minha homenagem à Mãe de todos os mares.
Odoyá, minha mãe. Odoyá.

20 de janeiro de 2010

O lixo. A merda. O rato. O fedor.



Uma das coisas que mais marca em uma pessoa quando me conhece é o meu desinteresse/desprezo pelas pessoas. Simples assim. Não fui com a cara, meu santo não bateu, uma palavra errada, um comentário mal colocado, uma arrogância... fodeu! Eu, simplesmente, ligo meu botão do “você não existe” e sigo andando, cantando e saltitando.
De uns meses pra cá isso vem acontecendo com mais freqüência.
Outra coisa que marca muito uma pessoa quando me conhece, é a mistura disso tudo do primeiro parágrafo com o fato de eu conhecer uma pessoa há tempos e criar abuso/nojo/horror/ojeriza/asco da existência dela, porque ela me fez alguma coisa ou, pior pra ela, fez algo com alguém que eu gosto/amo/adoro. O fato é: aprendi a ser pior a cada dia.
Eu não venho com aquele papo de dor, de desprezo, de raiva, não. Eu to falando é de HORROR a pessoas assim.
Se você foi deletado e jogado na sarjeta da minha vida (ou da vida das pessoas próximas a mim), que diabos você pensa que está fazendo, ainda, tentando se aproximar de algo?
Sério, acho ridículo um cachorro querer ser humano. Ou um rato querer ser um gato. Lixo é lixo e ponto final. Eu não reciclo nada. Sou adepta ao novo e jogo o que foi usado lá debaixo do morro. É, no pior lugar da face da terra.
Ora, convenhamos, o que virou merda e que um dia disse que era um luxo, com certeza não soube fingir sua máscara nova do jeito certo. É como se uma merda ambulante andasse disfarçada de um vidro de perfume bem bonito, bem caro, sofisticado, mas quando abrisse o frasco lá vinha aquele cheiro maldito. Aquela coisa que toma conta do ambiente e fede. Fede pra caralho.
Eu não gosto de mau cheiro. E é por isso que eu excluo os cheiros, os ratos, os cachorros e o lixo que as pessoas se transformam na minha vida. Excluo a merda, entende?
Engraçado como existem pessoas que não entendem que sempre foram isso e ainda insistem em dizer que têm sentimentos, que têm carinho, que têm como ocupar certos espaços. Só se for o espaço do meu vaso sanitário, meu bem.
Gente que acha que ainda é referência de alguma coisa (de amizade, amor ou falsidade), deveria se tocar e perturbar outras pessoas.
Ah, vamos lá, o mundo ta cheio de gente que adota esse tipo de pessoa. Eu, particularmente, não tenho cara de Madre Tereza, ou algum presidente da UNICEF e muito menos amparo animais jogados no lixo; tão menos sou gari, porra.
Se coloque no seu lugar e suma, ué. Não foi isso que sempre soube fazer? Não é isso que as pessoas de má índole fazem pra dizer que “não se importam”?
Esse papo de saudade, de que quer ter contato, não dá pra engolir. Quem faz contato é E.T, meu amor. Eu sou da terra e não gosto da NASA.
Eu conto até mil pra não explodir e chutar um cachorro morto. Eu conto até doze milhões pra não magoar uma pessoa que está no meio de uma merda que faz questão de feder (só pra dizer que existe), porque magoar essa pessoa é magoar a mim mesma. É ferir meu coração. É desdenhar a certeza da minha vida.
Não sei se todo mundo lê esse blog. Não sei nem se ratos sabem ler. Mas sei que a merda olha aqui de vez em quando e queria muito que a merda virasse logo PÓ e sumisse por ai, pelos ares.
Adicionar pessoas próximas. Aparecer por msg. Mandar os outros ligarem. Fingir de morto e depois dar uma de coitado que se suicidou... iiiih, isso é coisa de gente não profissional (ou seria, lixo não profissional?).
Faça que nem eu, ué.
Despreze, ignore, tenha nojo, horror. SUMA. Seja uma pessoa MUITO odiada, mas com respeito, po. Eu sou odiada de uma maneira bonita porque eu não perturbo ninguém.
Eu? Perder meu sono? Adicionar as pessoas pra aporrinhar outras e ainda dar o ar do fedor?
EU?
Nããããooo, eu sou mais aterrorizantemente detestável por conta do meu descaso.
Faça o mesmo. Ou melhor, se mata. É, isso. Achei a solução. Você seria mais útil morto.
E daí que é pecado desejar a morte do próximo? Nunca disse que era santa.
Ai, você fede embaixo da terra e não mais aqui em cima. Ai, quem sabe, se der tudo certo, a gente se encontra no inferno e acertamos as nossas contas.
Opa, esqueci!
Não vamos nos encontrar no inferno. Eu vou pra lá rever alguns amigos, rir um pouco, quem sabe?
Mas você vai pra fossa. Quando der, eu falo com o diabo pra eu te olhar lá de cima. Ou você pensa que a fossa fica a cima do inferno?
ENGANO SEU.
Funciona assim: O céu é lá em cima, o inferno é no meio, o lixo é um pouco abaixo. Ai vem o sujo, depois vem mais lixo, ai vem a fossa, DAÍ vem você. ;)

Me espera. ;*

Naiane Feitoza.

28 de dezembro de 2009

2010.



O que eu quero pra 2010?
Estive pensando nisso há dias e se quer mesmo saber, eu não queria nada pra 2010. Como uma vez eu disse: “Deixo na mão de Deus”.
Mas como me conheço e sei que sempre volto atrás em algumas coisas (é, eu não tenho vergonha na cara MESMO), eis os meus pedidos de 2010 e meus votos de falecimento para 2009.
  • Eu quero uma vidinha mais ou menos. Com dinheiro pra pagar as contas em dia e um trocado sobrando pra viajar por ai.
  • Quero essa paz de hoje até o dia 31.12.2099.
  • Quero comer muita pipoca com os meus sobrinhos e morrendo de rir com os filmes infantis que tanto assistimos e nos divertimos (mesmo o Guga rindo da gente e não entendendo nada).
  • Quero o meu sorriso de besta velha quando vejo uma vaquinha numa vitrine.
  • Quero meu coração batendo acelerado quando o avião decolar e quando ele pousar.
  • Quero um frio na barriga na hora de pegar o buquê do casamento da minha amiga.
  • Quero o stress do meu trabalho e a minha cama no fim da tarde.
  • Quero os meus livros na estante e ter dinheiro pra comprar um novo todos os meses.
  • Quero poder chamar palavrão todas as vezes que eu quiser e ninguém achar estranho.
  • Quero chorar de rir até a barriga doer.
  • Quero ter vontade de ir e voltar sempre que eu quiser.
  • Quero dizer mais “sim” do que “não”.
  • Quero sempre ser dependente do meu celular, se isso agrada meus amigos.
  • Quero ir à Salvador e colocar minha fitinha na Igreja do Bonfim e dizer “muito obrigada”.
  • Quero tomar banho de mar e dizer à Iemanjá que ela ganhou uma fã.
  • Quero tentar começar, de verdade, minha biblioteca.
  • Quero me dedicar à minha saúde.
  • Quero escrever, escrever e escrever. Sempre e sempre.
  • Quero não esquecer de fazer meu ritual de todas as noites, mesmo nas que eu chego bêbada e nem sei onde está o algodão e minha loção de limpar o rosto.
  • Quero aprender a dançar tango.
  • Quero que o Brasil ganhe a Copa do MUNDO.
  • Quero continuar com o meu sonho de ser mãe.
  • Quero a saúde dos meus avós e dos meus pais (que já têm certa idade).
  • Quero gastar menos com sapatos, porque os 45 pares não cabem mais em lugar nenhum.
  • Quero dizer que amo diversas, inúmeras, repetidas, eternas, ENORMES vezes até meus amigos enjoarem.
  • Quero continuar acreditando que a vida é justa SIM.
  • Quero parar de perder tempo odiando algumas pessoas.
  • Quero selar a paz com o meu passado pra garantir a paz do meu presente.
  • Quero aprender a andar de bicicleta e atravessar a rua sozinha (OLHA, isso não quer dizer que eu queira correr. Isso já é outra história).
  • VOU me desfazer de tudo que não é útil, bonito e prazeroso.
  • Quero ainda acreditar nos meus sonhos, nos milagres e no meu amor.
  • Quero sabedoria, paciência e generosidade na minha vida.
  • Quero perdoar tudo e todos.
Não preciso de muitas coisas. Preciso de pouco do muito e muito do pouco.
Tem uma música da Elis Regina que fala precocemente o que eu quero da minha vida. Sempre a cito dizendo que ela é quase o meu futuro, pelo menos, o que eu quero pra mim.
"Casa no campo".
As vezes choro quando noto que é de todo aquele pouquinho que eu preciso. Só. E não custa nada.
"Eu quero uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz..."

Quero um luar bonito, ótimas noites de sono, um violão, um ventinho fresco, umas vozes e algumas gargalhadas. Quero uma canção pra embalar meus sonhos. Quero uma força pra empurrar meus amigos pra frente.
Quero o sorriso cansado. Quero um disco. Quero silêncio e quero um beijo de boa noite.
Nada mais.

É 2009, você morreu, infelizmente. Do mesmo jeito que você me fez bem, você também me fez o pior. Mas como sempre dizem por ai: “Há sempre o lado bom das coisas ruins”.
Eis o lado bom da minha vida em 2009. Aprender. Nada mais que isso.
Enterro você junto com o que ficou de ruim e lembro de você só com as coisas boas.
2010 ta ai e eu não posso perder meu tempo choramingando com o que passou.
2009 acabou e que venha 2010.
Te recebo com um enorme abraço.

“O melhor está por vir”.

;)

12 de dezembro de 2009

Que livro você é?



"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.



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Esse é o livro que eu sou, fiz em um teste da Editora Abril e veja só...
Nossa, SOU EU MESMA.Quem diria que até nesses testes eles "sabem" quem sou.
Quer fazer?  Olha ai:  Teste